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Engenharia proibida? Plano de 12 anos que 'apagou' o oceano para criar o impossível

Nos últimos 12 anos, o mundo testemunhou uma das mais audaciosas transformações geográficas da história moderna

Igor de Paiva

Publicado em 11/01/2026 às 10:42

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Nos últimos 12 anos, o mundo testemunhou uma das mais audaciosas transformações geográficas da história moderna / Image FX/IA

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Nos últimos 12 anos, o mundo testemunhou uma das mais audaciosas transformações geográficas da história moderna.

O que antes eram apenas recifes de coral submersos e perigosas rochas maus visíveis durante a maré baixa no Mar do Sul da China, tornaram-se hoje ilhas robustas, equipadas com tecnologia de ponta e infraestrutura militar completa.

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Este esforço monumental de engenharia, conduzido por Pequim, não apenas expandiu o território físico do país, mas alterou de forma definitiva o equilíbrio de poder na Ásia.

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O processo de criação dessas ilhas parece saído de um filme de ficção científica. Utilizando uma frota de dragas de sucção gigantescas — frequentemente descritas como aspiradores de pó em escala industrial — a China removeu milhões de toneladas de areia e corais triturados do leito oceânico, bombeando esse material sobre os recifes existentes.

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Camada por camada, o fundo do mar foi trazido à superfície, criando milhares de hectares de solo firme onde antes só havia água. Em um intervalo de apenas três anos, entre 2013 e 2016, o ritmo de construção foi tão frenético que a área criada equivaleria a cerca de 1.600 campos de futebol, concentrados principalmente nas disputadas Ilhas Spratly.

Entretanto, o objetivo dessa megaengenharia nunca foi apenas ganhar território, mas sim consolidar soberania.

Onde antes só havia ondas, agora existem pistas de pouso de três quilômetros de extensão, hangares reforçados para caças, portos de águas profundas para navios de guerra e sofisticados sistemas de radar.

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Essas ilhas passaram a atuar como "porta-aviões inafundáveis", permitindo que a China patrulhe e monitore rotas comerciais por onde circulam trilhões de dólares anualmente, reforçando suas reivindicações territoriais contra vizinhos como Filipinas e Vietnã.

Apesar do sucesso técnico, a conta para essa expansão é alta. Ambientalistas alertam para a destruição irreversível dos ecossistemas de coral, que servem de berçário para a vida marinha regional. Além disso, a própria natureza oferece resistência: as ilhas sofrem com a erosão constante das tempestades tropicais e o afundamento gradual do solo artificial.

No tabuleiro da geopolítica, porém, a mensagem da China é clara: através da engenharia pesada, o país conseguiu redesenhar o mapa e estabelecer uma presença permanente no coração de uma das regiões mais estratégicas do globo.

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