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O ex-astronauta da NASA Ron Garan viveu essa experiência de forma intensa, passando 178 dias em órbita e deu mais de 2.800 voltas ao redor do planeta
Astronautas relatam que, ao enxergar o planeta de fora, passam a compreendê-lo como um sistema único e interdependente / Reprodução/Freepik
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Observar a Terra do espaço não é apenas um privilégio raro, é uma experiência que costuma alterar profundamente a percepção de quem a vive.
Astronautas relatam que, ao enxergar o planeta de fora, passam a compreendê-lo como um sistema único e interdependente, sem fronteiras visíveis ou divisões políticas.
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Esse fenômeno psicológico tem nome: overview effect, termo difundido pelo escritor Frank White para descrever o impacto cognitivo provocado pela visão da Terra a partir do espaço.
O ex-astronauta da NASA Ron Garan viveu essa experiência de forma intensa. Ele passou 178 dias em órbita e deu mais de 2.800 voltas ao redor do planeta.
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Ao retornar, trouxe uma reflexão que costuma repetir em palestras e entrevistas: para ele, a humanidade está presa a uma “grande mentira”.
Segundo Garan, organizamos nossas prioridades como se os sistemas econômicos fossem o centro de tudo, quando, na prática, dependem totalmente da estabilidade ambiental.
“Do espaço, eu vi uma biosfera repleta de vida. Eu não vi a economia”, já afirmou o astronauta em diferentes ocasiões.
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A crítica não é contra o desenvolvimento em si, mas contra a inversão de valores que coloca indicadores financeiros acima dos sistemas naturais que sustentam a vida.
A cerca de 400 quilômetros de altitude, distância média da órbita da Estação Espacial Internacional, a Terra aparece como uma esfera azul envolta por uma fina camada atmosférica. É justamente essa camada que garante a existência de água líquida, clima estável e proteção contra radiação.
Veja também: NASA revela descoberta de novo mundo e mostra imagens reais do local.
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Lá de cima, não há linhas delimitando países. Não se veem conflitos, muros ou disputas territoriais. A percepção é de unidade.
Astronautas costumam relatar uma sensação de conexão global e responsabilidade ampliada. Muitos retornam mais engajados em pautas ambientais ou sociais, transformando a experiência em ativismo, projetos educacionais ou produção artística.
Nem sempre a reação é apenas contemplativa. Em alguns casos, é emocionalmente intensa.
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Em 2021, o ator William Shatner viajou ao espaço em um voo suborbital da Blue Origin. Conhecido mundialmente por interpretar o capitão Kirk na série Star Trek, Shatner passou décadas representando a exploração espacial na ficção.
Ao vivenciar a experiência real, descreveu o momento como profundamente impactante, e até triste. O contraste entre o vazio escuro do espaço e a fragilidade luminosa da Terra provocou nele uma sensação de vulnerabilidade do planeta.
A principal reflexão compartilhada por Garan é direta: a economia é um subsistema da biosfera, não o contrário. Em outras palavras, sem equilíbrio ambiental, não há crescimento sustentável possível.
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Mudanças climáticas, escassez de recursos e degradação ambiental deixam de ser debates abstratos quando vistos sob essa ótica. Do espaço, a atmosfera parece fina e delicada, quase frágil demais para suportar a pressão que colocamos sobre ela.
A maioria das pessoas nunca verá a Terra da órbita. Ainda assim, o relato dos astronautas funciona como convite à reflexão.
Se a distância permite enxergar o planeta como um organismo único, talvez o desafio aqui embaixo seja ampliar essa mesma consciência, mesmo sem foguetes ou trajes espaciais.
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No fim das contas, a imagem é simples: um único planeta, compartilhado por todos. E, até onde se sabe, sem substituto disponível.