As pacientes sofriam com fadiga extrema, palpitações e falta de apetite / ImageFX
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Entre os séculos XVI e XIX, uma condição de saúde intrigante tomou conta da Europa. Conhecida como Clorose, a enfermidade atingia quase exclusivamente adolescentes e mulheres jovens, deixando-as com uma palidez tão intensa que era descrita como esverdeada. Mas o que parecia um mistério médico era, na verdade, um reflexo bizarro do controle social da época.
Apelidada de 'Doença das Virgens' ou 'Febre Amorosa', a clorose não desapareceu por causa de uma vacina, mas sim porque a ciência mudou a forma de enxergar as mulheres.
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As pacientes sofriam com fadiga extrema, palpitações e falta de apetite. Hoje, a medicina moderna sabe que esses eram sinais claros de anemia por deficiência de ferro, desnutrição ou distúrbios hormonais. No entanto, na época, os médicos classificavam a clorose como uma doença 'nervosa' ligada à sexualidade.
As prescrições médicas da época eram chocantes para os padrões atuais. Como acreditava-se que a doença surgia da falta de atividade sexual, o tratamento oficial não envolvia ferro ou vitaminas, mas sim:
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Casamento precoce: O corpo feminino só 'funcionaria' sob as ordens de um marido.
Gravidez: Vista como a cura definitiva para a 'apatia' feminina.
Proibição de estudos: Ler e estudar eram atividades vistas como agravantes da doença, pois 'gastariam a energia' necessária para a reprodução.
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A clorose tornou-se um símbolo artístico. Pintores retratavam mulheres pálidas e introspectivas como um ideal de fragilidade e pureza. A doença era quase um acessório de moda na elite europeia, reforçando a ideia de que a mulher era um ser naturalmente frágil e dependente.
No início do século XX, a clorose simplesmente desapareceu dos registros médicos. O motivo? Não houve uma cura mágica, mas uma reclassificação científica. Com o avanço da ginecologia e da nutrição — e a luta de médicas pioneiras como Catharine van Tussenbroek — os sintomas passaram a ser tratados como o que realmente eram: problemas biológicos e nutricionais.
A 'Doença das Virgens' deixou de existir quando a ciência parou de tratar a moralidade como medicina e passou a enxergar as mulheres como indivíduos.
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