Dinossauro do tamanho de uma galinha surpreende cientistas e muda o que se sabia sobre a espécie

Espécie de apenas 70 centímetros encontrada na Argentina ajuda a rever a evolução dos alvarezsaurídeos

Fóssil analisado por pesquisadores desafia hipótese antiga sobre o encolhimento do grupo

Fóssil analisado por pesquisadores desafia hipótese antiga sobre o encolhimento do grupo | Reprodução/Youtube/Reuters

Quando se fala em dinossauro, muita gente imagina criaturas gigantescas. Porém, uma descoberta na Patagônia mostra que alguns eram do tamanho de uma galinha.

O fóssil recém-estudado pertence a um grupo pouco compreendido e lança novas luzes sobre a trajetória evolutiva desses animais pré-históricos.

A pesquisa saiu na revista Nature e contou com apoio da National Geographic Society e de cientistas dos Estados Unidos e do Conicet, (Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas), da Argentina.

Descoberta que chama atenção

O exemplar pertence à espécie Alnashetri cerropoliciensis e foi localizado em La Buitrera, no norte da província de Río Negro. Curiosamente, o primeiro registro dessa espécie surgiu em 2004, na mesma formação rochosa.

Datado de cerca de 95 milhões de anos, o novo material é o mais completo e também o menor alvarezsaurídeo já descrito na América do Sul. Partes do teto do crânio, segmentos da cauda e trechos do lado direito não foram preservados.

Mesmo assim, os cientistas conseguiram estimar que o animal media cerca de 70 centímetros, sendo metade composta pela cauda, e pesava aproximadamente 1 quilo. Era leve, tinha cabeça pequena e muitos dentes diminutos. Trata-se de uma fêmea com ao menos quatro anos.

Braço reduzido e novas perguntas

Os alvarezsaurídeos surgiram há aproximadamente 150 milhões de anos e aparecem com frequência em achados na Argentina, na Mongólia e na China. Em geral, eram carnívoros e provavelmente se alimentavam de pequenos vertebrados e insetos.

xxO fóssil recém-estudado pertence a um grupo pouco compreendido e lança novas luzes sobre a trajetória evolutiva / FunkMonk, Wikimedia Commons

Uma das características mais marcantes do grupo está nos membros anteriores. Em espécies mais recentes, a mão tornou-se extremamente reduzida, restando quase apenas um dedo forte com garra, enquanto os demais praticamente desapareceram.

Durante muito tempo, especialistas associaram o encolhimento corporal à adaptação para consumir formigas e cupins. No entanto, a nova análise indica que alguns indivíduos já eram muito pequenos antes dessa possível mudança alimentar.

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Impacto na história evolutiva

Pesquisadores explicam que, ao longo da linhagem, a mão encurtou progressivamente e o primeiro dedo ganhou robustez, enquanto os laterais diminuíram. Ainda assim, o novo exemplar mantém traços típicos de um predador ativo.

Dessa forma, os cientistas defendem que a miniaturização pode ter ocorrido por diferentes razões, como pressões ambientais e disputas ecológicas. As hipóteses não se excluem e podem ter atuado simultaneamente.

Além disso, o estudo ajudou a reclassificar fósseis mais antigos da América do Norte e do Reino Unido como integrantes do mesmo grupo. Assim, a pequena criatura da Patagônia amplia o mapa evolutivo dos alvarezsaurídeos e reacende um debate que parecia encerrado.