A notícia, que começou como um relatório técnico, rapidamente ganhou contornos de corrida do ouro / Shutterstock
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O Rio Indo sempre foi sinônimo de vida. Ao longo de milhares de anos, suas águas sustentaram civilizações, lavouras e cidades inteiras no atual Paquistão. Agora, ele pode se tornar também símbolo de uma virada econômica.
Estudos preliminares apontam a existência de mais de 64 toneladas de ouro espalhadas em sedimentos próximos à cidade de Attock. A notícia, que começou como um relatório técnico, rapidamente ganhou contornos de corrida do ouro.
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A identificação do metal precioso não foi fruto de acaso. Uma investigação patrocinada pelo governo regional mobilizou geólogos, engenheiros e consultores especializados para mapear o potencial mineral da área.
Os números chamam atenção: a estimativa financeira gira em torno de dezenas de bilhões de rúpias paquistanesas, valor que ultrapassa a casa do bilhão em reais.
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Para um país que enfrenta desafios fiscais e busca estabilidade econômica, a descoberta surge como oportunidade estratégica, pelo menos no papel. Mas entre estimativa e exploração existe um longo caminho.
A estatal National Engineering Services of Pakistan (NESPAK) assumiu a linha de frente no planejamento técnico, em parceria com o departamento provincial de mineração. Antes de qualquer escavadeira entrar em ação, estudos ambientais e análises de viabilidade precisam ser concluídos.
A preocupação é dupla: garantir retorno econômico e evitar que a extração cause danos irreversíveis ao ecossistema do rio, que é vital para milhões de pessoas. Enquanto o governo organiza os próximos passos, outro fenômeno tomou forma.
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A simples divulgação da descoberta foi suficiente para atrair moradores e oportunistas. Em alguns trechos, máquinas improvisadas e escavações clandestinas começaram a surgir às margens do rio.
O cenário obrigou o governo a reagir. Autoridades acionaram a chamada Seção 144, dispositivo legal que restringe determinadas atividades públicas, para conter a mineração ilegal e evitar conflitos locais.
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A medida expõe um dilema clássico: quando a riqueza aparece antes da regulamentação, o controle vira prioridade urgente.
O ouro do Indo pode representar mais do que cifras impressionantes. Pode significar investimentos em infraestrutura, geração de empregos e fortalecimento das contas públicas.
Por outro lado, também traz riscos conhecidos: pressão ambiental, exploração desordenada e disputas por concessões.
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No fim das contas, a pergunta que paira sobre o leito do rio não é apenas quanto ouro existe ali, mas se o país conseguirá transformar esse potencial em desenvolvimento sustentável.
Entre sedimentos e expectativas, o Indo volta a ocupar o centro da história paquistanesa. Só que, desta vez, não pela água que corre em sua superfície, e sim pelo que pode estar escondido logo abaixo dela.