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Derretimento acelerado provoca fenômeno inesperado e faz território polar diminuir

A história vai além da superfície: a própria ilha está se mexendo e até encolhendo em algumas partes

Fábio Rocha

Publicado em 20/02/2026 às 18:23

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A Groenlândia repousa sobre a placa tectônica norte-americana / Michael Haferkamp/Wikimedia Commons

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Quando se fala em aquecimento global, quase todo mundo pensa em gelo derretendo e nível do mar subindo. Mas, no caso da Groenlandia, a história vai além da superfície: a própria ilha está se mexendo e até encolhendo em algumas partes.

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Pode parecer estranho, mas o sumiço de toneladas de gelo está literalmente alterando o formato do território.

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Menos peso em cima, mais movimento embaixo

A Groenlândia repousa sobre a placa tectônica norte-americana. Durante milhares de anos, o enorme volume de gelo pressionou a crosta terrestre para baixo. Agora, com o derretimento acelerado, esse peso está diminuindo.

O que acontece quando você tira um peso gigantesco de cima de algo? Ele reage.

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Em algumas áreas, o solo sobe (um processo conhecido como soerguimento isostático). Em outras, a terra se comprime ou se desloca horizontalmente. O resultado é uma espécie de “torção” geológica: partes da ilha se expandem, enquanto outras estão se contraindo.

A ilha está até mudando de posição

Nos últimos 20 anos, a Groenlândia tem se deslocado cerca de 2 centímetros por ano na direção noroeste. Parece pouco, mas, em escala geológica, é significativo.

O fenômeno foi detalhado em um estudo publicado na revista científica Journal of Geophysical Research. O principal autor, Danjal Longfors Berg, pesquisador da NASA, explicou que, no balanço geral, algumas áreas estão ficando menores, embora isso possa mudar se o ritmo do derretimento continuar acelerando.

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Nos últimos 20 anos, a Groenlândia tem se deslocado cerca de 2 centímetros por ano na direção noroeste / Rita Willaert/Wikimedia Commons
Nos últimos 20 anos, a Groenlândia tem se deslocado cerca de 2 centímetros por ano na direção noroeste / Rita Willaert/Wikimedia Commons
Nanopixi/Wikimedia Commons
Nanopixi/Wikimedia Commons
Alankomaat/Wikimedia Commons
Alankomaat/Wikimedia Commons
David Stanley/Wikimedia Commons
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Markus Trienke/Wikimedia Commons
Markus Trienke/Wikimedia Commons
Algkalv (talk)/Wikimedia Commons
Algkalv (talk)/Wikimedia Commons
Oliver Schauf/Wikimedia Commons
Oliver Schauf/Wikimedia Commons

O passado ainda pesa (literalmente)

Não é só o gelo atual que influencia esse movimento. Parte das deformações vem de ajustes que começaram há milhares de anos, no fim da última Era Glacial.

Ou seja: a ilha está respondendo ao que aconteceu há 20 mil anos e ao que está acontecendo agora, tudo ao mesmo tempo.

Dica do editor: Conheça a pequena ilha que não produz lixo e é autossuficiente em energia.

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Como os cientistas descobriram isso?

Pesquisadores analisaram dados de 58 estações de GPS espalhadas pela costa, instaladas pela Technical University of Denmark. Essas estações medem com precisão milimétrica como o solo sobe, afunda ou se desloca.

Além disso, os cientistas criaram um modelo computacional que simula os movimentos da ilha ao longo de 26 mil anos, combinando passado e presente para entender o que está acontecendo.

A maior surpresa

Até então, a expectativa era de que a Groenlândia estivesse principalmente “se expandindo” por causa do alívio do peso do gelo recente.

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Mas os dados mostraram algo mais complexo: existem regiões sendo comprimidas e encurtadas. Em outras palavras, a ilha não está apenas subindo, está se reorganizando.

E isso mostra que o impacto do derretimento vai muito além do que vemos nas imagens de geleiras quebrando. Ele está redesenhando o território por baixo dos nossos pés.

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