Sem polinização ativa e colmeias fortes, a barreira que afasta os elefantes pode perder força justamente nos períodos mais críticos / Pixabay
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Parece cena de animação, mas é ciência aplicada ao campo: elefantes, que podem pesar mais de cinco toneladas, recuam ao ouvir o som de abelhas.
A estratégia vem sendo usada em países como Quênia, Moçambique e Tailândia para reduzir conflitos entre humanos e vida selvagem.
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O problema é antigo. Com o avanço da agricultura sobre rotas migratórias históricas, elefantes passaram a invadir plantações em busca de alimento.
O resultado são prejuízos econômicos e, muitas vezes, mortes dos dois lados.
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Dados de organizações ambientais mostram que, apenas no Quênia, centenas de pessoas morreram em conflitos nas últimas décadas, enquanto elefantes também são abatidos em retaliação.
A resposta surgiu da própria natureza. Agricultores observaram que elefantes evitavam árvores com colmeias.
Pesquisas conduzidas pela organização Save the Elephants, em parceria com a Universidade de Oxford, confirmaram o motivo: apesar da pele grossa, os animais têm áreas sensíveis, como tromba, olhos e parte interna das orelhas.
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O medo é tão instintivo que os elefantes desenvolveram sons específicos para alertar o grupo sobre a presença de abelhas.
Assim nasceram as chamadas “cercas de colmeias”: caixas com abelhas são instaladas ao redor das plantações e conectadas por fios.
Quando um elefante encosta na estrutura, as colmeias se agitam, e o zumbido já é suficiente para afastá-lo.
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No Parque Nacional Tsavo Oriental, a taxa de sucesso na dissuasão chegou a cerca de 80% em períodos de colheita. Além de proteger as lavouras, o sistema trouxe benefícios extras:
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Mesmo eficaz, a solução enfrenta obstáculos. Secas prolongadas e uso de pesticidas reduzem a atividade das abelhas, enfraquecendo a barreira natural justamente em anos mais críticos.
Pesquisadores defendem que as cercas de colmeias façam parte de um conjunto maior de ações, incluindo monitoramento comunitário e preservação ambiental.
No fim das contas, a convivência entre humanos e elefantes pode depender de algo simples: o poder de um zumbido.
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