Dados de Zuckerberg também foram colhidos pela Cambridge Analytica

As informações foram colhidas e vendidas a terceiros, sem autorização prévia

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11 ABR 2018Por Folhapress22h50
No total, 87 milhões de usuários do Facebook foram afetados -incluindo o seu fundadorNo total, 87 milhões de usuários do Facebook foram afetados -incluindo o seu fundadorFoto: Associated Press

Em novo depoimento ao Congresso americano, o fundador e presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, afirmou nesta quarta (11) que teve seus dados pessoais colhidos pelo aplicativo usado pela consultoria Cambridge Analytica para difundir propaganda política.

As informações foram colhidas e vendidas a terceiros, sem autorização prévia, para a divulgação de materiais em favor do então candidato Donald Trump, entre outros.

Zuckerberg respondeu à pergunta da deputada Anna Eshoo, da Califórnia, que também o questionou se ele considerava ter responsabilidade moral, ao comandar o Facebook, de proteger a democracia.
"Sim", afirmou o executivo.

Sob novo cerco de congressistas, que o questionaram sobre monopólio, falhas de segurança e censura prévia, o executivo admitiu, novamente, a possibilidade de apoiar uma regulação a empresas de tecnologia.
"A internet vem crescendo tanto em importância que é inevitável que precisaremos de alguma regulação", afirmou.

Zuckerberg, porém, não quis responder sobre a possibilidade de mudar o modelo de negócios da plataforma a fim de proteger a privacidade de seus usuários.

Atualmente, boa parte das receitas do Facebook vem da publicidade -que é direcionada de acordo com as informações sobre preferências e perfis dos usuários.

O fundador da plataforma afirmou que está aplicando ferramentas de inteligência artificial para identificar e banir conteúdos com potencial para o dano, como discurso de ódio e manipulação eleitoral estrangeira, mas negou que esteja agindo como censor.

"Existem alguns tipos de conteúdo que não queremos ter em nosso serviço", declarou.

Um dia antes, Zuckerberg falou por quase cinco horas ao Senado, onde foi pressionado por congressistas, céticos de seu compromisso em assegurar a segurança da plataforma.

Na terça (10), muitos senadores se mostraram desconfiados e questionaram se a empresa não cresceu demais, sugerindo uma possibilidade de regulação antitruste.