Entre os achados, estão estrelas-serpentes com aparência de flores, porcos-do-mar translúcidos e corais solitários que crescem sobre rochas metálicas / Natural History Museum/Gothenburg
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Uma expedição científica internacional trouxe à superfície imagens e registros de um mundo praticamente invisível à humanidade.
A cerca de 4 mil metros de profundidade no Oceano Pacífico, pesquisadores identificaram criaturas exóticas e até então desconhecidas, em um ecossistema descrito como um verdadeiro “jardim de vidro”.
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O estudo, publicado na revista Nature Ecology & Evolution, foi realizado na Zona de Clarion-Clipperton (CCZ), uma vasta planície abissal situada entre o Havaí e o México.
Entre os achados, estão estrelas-serpentes com aparência de flores, porcos-do-mar translúcidos e corais solitários que crescem sobre rochas metálicas.
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Um dos dados mais impactantes é que cerca de 90% dos animais observados nunca haviam sido descritos pela ciência, reforçando o caráter inexplorado da região.
A revelação científica ocorre em um momento de crescente interesse econômico pelo fundo do mar. A CCZ é rica em nódulos polimetálicos — rochas com cobalto, níquel e manganês, matérias-primas essenciais para baterias, painéis solares e outras tecnologias da transição energética.
No entanto, a pesquisa indica que testes de mineração já reduziram a abundância de animais em 37% e a diversidade de espécies em 32% nas áreas impactadas, evidenciando riscos ambientais significativos.
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Confira na galeria abaixo as principais descobertas dos cientistas no fundo do mar:
O ambiente abissal impõe condições extremas: ausência de luz, temperaturas baixas e pressão intensa. A escassez de alimento faz com que a vida evolua em ritmo lento, com sedimentos se acumulando a apenas um milésimo de milímetro por ano.
Segundo os pesquisadores, enquanto uma amostra de solo marinho em regiões rasas pode abrigar milhares de organismos, o mesmo volume no fundo do Pacífico contém apenas cerca de 200 indivíduos — mas com diversidade genética surpreendente.
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Entre as 788 espécies identificadas, algumas se destacaram pela aparência incomum e importância ecológica:
Os nódulos polimetálicos, alvo da mineração, são também a base estrutural desse ecossistema, levando milhões de anos para se formar. Sua remoção pode significar a perda do habitat de espécies ainda desconhecidas.
Embora parte da área já esteja sob proteção, cientistas alertam que o conhecimento sobre a biodiversidade local ainda é limitado. O Brasil e outros países defendem cautela na exploração mineral em águas profundas até que os impactos ambientais sejam melhor compreendidos.
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A descoberta reforça o paradoxo contemporâneo: a busca por recursos para uma economia mais sustentável pode colocar em risco ecossistemas que a ciência ainda mal começou a entender.