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Com 42 milhões de habitantes, cidade mais populosa do mundo enfrenta risco de desaparecer

Capital asiática vive entre o avanço do mar e o peso da superpopulação e expõe limites da infraestrutura urbana

Ana Clara Durazzo

Publicado em 04/01/2026 às 14:00

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De acordo com a ONU, a cidade tem mais habitantes do que Holanda, Bélgica e Portugal juntos, supera a população do Canadá e da Austrália / Indonesia Travel/ Divulgação

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Com quase 42 milhões de habitantes, Jacarta, capital da Indonésia, vive sob uma ameaça silenciosa e crescente: a subsidência acelerada do solo, fenômeno que faz partes da cidade literalmente afundarem ano após ano.

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O problema é resultado direto da combinação entre crescimento urbano desordenado, pressão populacional extrema e desafios ambientais agravados pelas mudanças climáticas.

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Segundo o relatório de Perspectivas Urbanas da ONU, a densidade e a rápida expansão colocam Jacarta em situação de vulnerabilidade crítica diante da crise climática. A cidade hoje lidera o ranking de áreas urbanas mais populosas do mundo, superando Tóquio após mudanças recentes na metodologia estatística adotada pelas Nações Unidas.

Uma megacidade maior que países inteiros

A dimensão populacional de Jacarta impressiona. De acordo com a ONU, a cidade tem mais habitantes do que Holanda, Bélgica e Portugal juntos, supera a população do Canadá e da Austrália e se aproxima do total de habitantes da Argentina. Além disso, Jacarta é mais populosa do que 23 dos 27 países da União Europeia, consolidando-se como uma das regiões urbanas mais densamente habitadas do planeta.

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Esse crescimento, no entanto, ocorreu sem planejamento estruturado. Conforme análise da revista Wired, a capital indonésia foi moldada por camadas históricas sucessivas, da era colonial ao presente, recebendo ondas constantes de migrantes em busca de emprego e acesso a serviços.

O resultado é um ambiente urbano marcado por contrastes profundos e pressão extrema sobre o território.

Por que Jacarta está afundando

O afundamento da cidade é causado por uma combinação de fatores naturais e humanos. Dados do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU indicam que a extração excessiva de água subterrânea, somada ao peso da infraestrutura urbana e à subsidência natural dos sedimentos, provoca taxas de afundamento que, em algumas áreas, superam vários decímetros por ano.

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A situação é mais grave na região norte da cidade, onde bairros inteiros já se encontram abaixo do nível do mar. A falta de uma rede eficiente de abastecimento de água potável obriga milhões de moradores a recorrer aos aquíferos subterrâneos, agravando ainda mais o desequilíbrio do solo.

Crise climática agrava riscos

Como cidade costeira, Jacarta enfrenta inundações cada vez mais frequentes, intensificadas tanto pela elevação do nível do mar quanto por chuvas extremas associadas às mudanças climáticas. A combinação desses fatores transforma eventos climáticos severos em um problema estrutural, com impactos diretos sobre moradias, transporte e serviços essenciais.

Para analistas da ONU, Jacarta se tornou um caso emblemático dos desafios enfrentados pelas megacidades asiáticas diante da crise climática global, onde urbanização acelerada e vulnerabilidade ambiental se reforçam mutuamente.

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Obras, barreiras e mudança de capital

Diante do cenário alarmante, autoridades indonésias vêm adotando uma série de medidas. Entre elas está o projeto do Muro Marinho Gigante, um sistema de defesa costeira destinado a proteger a cidade contra o avanço do mar, além de programas de revitalização e normalização dos rios urbanos para melhorar a drenagem.

Também estão em curso investimentos em transporte público, com a expansão de linhas de metrô e trens leves, buscando reduzir congestionamentos, poluição e a pressão sobre a infraestrutura viária.

A iniciativa mais ambiciosa, porém, é a transferência parcial da capital administrativa para Nusantara, na ilha de Bornéu. A mudança pretende redistribuir o crescimento e aliviar a pressão sobre Jacarta, embora enfrente desafios administrativos e não resolva, no curto prazo, a alta concentração econômica e populacional da atual capital.

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Desafios sociais e econômicos persistem

A superpopulação impõe dificuldades severas à mobilidade urbana, ao acesso a serviços básicos e à qualidade de vida. A convivência entre arranha-céus modernos e extensos assentamentos informais revela uma fragmentação social que exige políticas públicas urgentes nas áreas de habitação, saúde e infraestrutura.

Congestionamentos crônicos, redes de transporte saturadas e desastres naturais recorrentes afetam a produtividade e geram custos econômicos significativos, com reflexos em toda a economia nacional. Em meio a esses desafios, Jacarta se torna um alerta global sobre os limites do crescimento urbano sem planejamento e os impactos cada vez mais concretos da crise climática.

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