O Oceano Antártico é considerado um dos maiores sumidouros naturais de carbono do planeta / Francesco Ungaro/Pexels
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O derretimento das plataformas de gelo da Antártida pode ter um papel bem diferente do que os cientistas imaginavam no funcionamento do ecossistema marinho da região. Um estudo recente indica que a água resultante desse processo não é a principal responsável por fornecer ferro às águas superficiais do Oceano Antártico, como sugeriam hipóteses anteriores.
Os resultados foram publicados na revista cientÃfica Nature Communications Earth & Environment e analisaram o comportamento das correntes marÃtimas sob a plataforma de gelo Dotson, localizada na Antártica Ocidental.
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As medições foram realizadas durante a expedição cientÃfica Artemis, em 2022. Os pesquisadores coletaram amostras da água que circula sob a plataforma de gelo e também da água que sai da região após o processo de derretimento.
Os cientistas analisaram tanto a concentração de ferro quanto a composição isotópica desse elemento nas amostras. A comparação permitiu identificar de onde realmente vem o ferro presente na água que deixa a plataforma de gelo.
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Os resultados indicaram que a água de degelo contribui com apenas cerca de 10% do ferro dissolvido nessa mistura.
A maior parte do nutriente tem outras origens: cerca de 62% vem da água profunda do oceano, naturalmente rica em ferro, enquanto 28% se origina dos sedimentos do fundo do mar.
O ferro desempenha um papel crucial no ambiente marinho, pois funciona como nutriente fundamental para o crescimento do fitoplâncton.Â
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Esses micro-organismos formam a base da cadeia alimentar nos oceanos e também ajudam a retirar dióxido de carbono da atmosfera durante seu desenvolvimento.
Por esse motivo, o Oceano Antártico é considerado um dos maiores sumidouros naturais de carbono do planeta.
Até agora, muitos modelos climáticos partiam do princÃpio de que o aumento do derretimento das plataformas de gelo liberaria grandes quantidades de ferro na água, estimulando a produtividade biológica da região.
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Os dados obtidos no estudo sugerem uma interpretação diferente. Em vez de fornecer diretamente o ferro, a água de degelo parece atuar principalmente transportando para cima águas profundas que já contêm o nutriente.
Esse processo ajuda a levar o ferro presente no fundo do oceano para camadas mais próximas da superfÃcie, onde o plâncton pode utilizá-lo.
A descoberta indica que alguns modelos climáticos podem precisar de ajustes, já que muitos deles assumem que o aumento do degelo das plataformas de gelo resultaria automaticamente em maiores concentrações de ferro nas águas superficiais.
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