Mundo

Cientistas mediram o derretimento da Antártida, e o resultado refuta uma antiga suposição

Análise inédita na plataforma de gelo Dotson revela que apenas 10% do ferro vem do degelo

Luna Almeida

Publicado em 05/03/2026 às 18:17

Compartilhe:

Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe por E-mail

O Oceano Antártico é considerado um dos maiores sumidouros naturais de carbono do planeta / Francesco Ungaro/Pexels

Continua depois da publicidade

O derretimento das plataformas de gelo da Antártida pode ter um papel bem diferente do que os cientistas imaginavam no funcionamento do ecossistema marinho da região. Um estudo recente indica que a água resultante desse processo não é a principal responsável por fornecer ferro às águas superficiais do Oceano Antártico, como sugeriam hipóteses anteriores.

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

Os resultados foram publicados na revista científica Nature Communications Earth & Environment e analisaram o comportamento das correntes marítimas sob a plataforma de gelo Dotson, localizada na Antártica Ocidental.

Continua depois da publicidade

Leia Também

• Buraco na Antártida revela 23 milhões de anos ocultos da Terra

• Ser marinho com 20 braços e semelhante a um 'alien' é encontrado nas águas da Antártida

• Anomalia na Antártida: cientistas detectam 'falha' na gravidade que afunda o oceano

Expedição analisou água sob uma plataforma de gelo

As medições foram realizadas durante a expedição científica Artemis, em 2022. Os pesquisadores coletaram amostras da água que circula sob a plataforma de gelo e também da água que sai da região após o processo de derretimento.

Os cientistas analisaram tanto a concentração de ferro quanto a composição isotópica desse elemento nas amostras. A comparação permitiu identificar de onde realmente vem o ferro presente na água que deixa a plataforma de gelo.

Continua depois da publicidade

Os resultados indicaram que a água de degelo contribui com apenas cerca de 10% do ferro dissolvido nessa mistura.

A maior parte do nutriente tem outras origens: cerca de 62% vem da água profunda do oceano, naturalmente rica em ferro, enquanto 28% se origina dos sedimentos do fundo do mar.

Nutriente essencial para o plâncton

O ferro desempenha um papel crucial no ambiente marinho, pois funciona como nutriente fundamental para o crescimento do fitoplâncton. 

Continua depois da publicidade

Esses micro-organismos formam a base da cadeia alimentar nos oceanos e também ajudam a retirar dióxido de carbono da atmosfera durante seu desenvolvimento.

Por esse motivo, o Oceano Antártico é considerado um dos maiores sumidouros naturais de carbono do planeta.

Até agora, muitos modelos climáticos partiam do princípio de que o aumento do derretimento das plataformas de gelo liberaria grandes quantidades de ferro na água, estimulando a produtividade biológica da região.

Continua depois da publicidade

Novo papel para o degelo

Os dados obtidos no estudo sugerem uma interpretação diferente. Em vez de fornecer diretamente o ferro, a água de degelo parece atuar principalmente transportando para cima águas profundas que já contêm o nutriente.

Esse processo ajuda a levar o ferro presente no fundo do oceano para camadas mais próximas da superfície, onde o plâncton pode utilizá-lo.

A descoberta indica que alguns modelos climáticos podem precisar de ajustes, já que muitos deles assumem que o aumento do degelo das plataformas de gelo resultaria automaticamente em maiores concentrações de ferro nas águas superficiais.

Continua depois da publicidade

Conteúdos Recomendados

©2026 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software