DNA de rinoceronte extinto foi encontrado em estômago de filhote de lobo / Imagem ilustrativa gerada por IA
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Nas terras gélidas da Sibéria, o tempo parou há 14.400 anos para uma pequena filhote de lobo. Soterrada pelo desabamento de sua toca, ela foi instantaneamente congelada no permafrost, tornando-se uma múmia natural perfeita. Mas quando cientistas finalmente a encontraram, descobriram que ela não estava sozinha.
Dentro dela, perfeitamente preservado em seu estômago, havia um segredo peludo e dourado: sua última refeição. O que parecia apenas um pedaço de carne digerida acabou se revelando uma das descobertas genéticas mais importantes da década, abrindo uma janela inédita para a vida na Era do Gelo.
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Ao analisarem o conteúdo estomacal da pequena loba (que tinha cerca de dois meses de idade e ainda mamava), os pesquisadores se depararam com um pedaço de tecido com pelos grossos e amarelados.
Contra todas as expectativas, o ambiente ácido do estômago não destruiu o material. Pelo contrário, o congelamento rápido transformou o órgão em uma "cápsula do tempo" protetora. Isso permitiu um feito científico inédito: foi a primeira vez na história que pesquisadores conseguiram sequenciar o genoma completo de um animal extinto a partir de restos encontrados dentro de outro animal.
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A análise de DNA confirmou a suspeita mais emocionante: o tecido pertencia a um rinoceronte-lanudo (Coelodonta antiquitatis), um dos gigantes icônicos da megafauna do Pleistoceno, que vagava pelas estepes frias ao lado dos mamutes.
Acredita-se que a carne tenha sido trazida para a toca pela mãe da filhote ou por sua matilha após uma caçada bem-sucedida, pouco antes do desastre que selou o destino do grupo.
Mas a descoberta vai além da curiosidade mórbida. O DNA recuperado estava tão intacto que permitiu aos cientistas avaliar a saúde da população de rinocerontes daquela época.
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Até então, muitos acreditavam que esses animais já estavam em declínio lento devido à caça humana ou doenças antes de serem extintos. No entanto, o genoma deste rinoceronte contou outra história: a população era geneticamente diversa, estável e saudável.
Isso derruba teorias antigas e reforça a hipótese de que o fim desses gigantes não foi gradual, mas súbito. A culpa, tudo indica, foi do rápido aquecimento climático no final da Era do Gelo, que alterou drasticamente seu habitat, e não da interferência humana. Graças à última refeição de uma pequena loba, a verdadeira história desses gigantes pode finalmente ser contada.