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Cientistas cavaram mais de 12 km na Terra, mas foram obrigados a abandonar o projeto

Buraco na Rússia supera a altura do Monte Everest e mostra até onde o homem já conseguiu chegar sob a Terra

Thiago Felipe Camargo

Publicado em 31/03/2026 às 09:14

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Tampa do maior buraco do mundo / Alexander Novikov/Wikimedia/Reprodução

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Pouca gente sabe, mas o buraco mais profundo já feito pelo ser humano não está no oceano. Ele fica na Rússia e surgiu durante a Guerra Fria como parte de um projeto científico tão ambicioso quanto o desenvolvido no litoral de São Paulo com foco na avaliação da existência de espécies desconhecidas.

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Chamado de Poço Superprofundo de Kola, o local atingiu 12.262 metros de profundidade e mantém até hoje o recorde mundial.

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Projeto do Poço Superprofundo de Kola começou com objetivo científico 

As perfurações tiveram início em 1970, na Península de Kola, região próxima à fronteira com a Noruega.

O objetivo era estudar a crosta terrestre em profundidade inédita, em um movimento que acompanhava a disputa científica da época. Diferente de projetos voltados à exploração de petróleo, a iniciativa tinha foco exclusivamente científico, assim como o buraco na Antártida que revelou 23 milhões de anos ocultos da Terra.

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O trabalho foi conduzido por equipes de pesquisadores soviéticos ao longo de vários anos. Em 1989, o projeto atingiu sua profundidade máxima. Confira o vídeo do canal Universo Curioso.

Mesmo com o avanço, os cientistas chegaram apenas a uma fração do caminho até o manto terrestre, mostrando a complexidade de explorar o interior do planeta.

Durante as perfurações, foram encontrados microfósseis em profundidades maiores do que o esperado, além de sinais de água aprisionada em rochas.

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Outro ponto que chamou atenção foi o comportamento das camadas subterrâneas, que não seguiam completamente os modelos teóricos da época.

O problema que encerrou o projeto e selou o maior buraco do mundo

O principal obstáculo surgiu nas camadas mais profundas. As temperaturas chegaram a cerca de 180 °C, acima das previsões iniciais.

O calor comprometeu os equipamentos e tornou inviável continuar avançando. As rochas também passaram a se comportar de forma menos estável, dificultando as perfurações.

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Além das dificuldades técnicas, o cenário político teve impacto direto. Com o fim da União Soviética, no início da década de 1990, o financiamento foi reduzido. Sem recursos, o projeto foi interrompido em 1992.

Após o encerramento, o local foi abandonado e selado com uma tampa metálica por questões de segurança. Hoje, a estrutura permanece fechada e sem atividade.

Tampa do maior buraco do mundoTampa do maior buraco do mundo / Alexander Novikov/Wikimedia Commons/Reprodução) 

Mais profundo que o Everest invertido

A profundidade do Poço Superprofundo de Kola ajuda a dimensionar o tamanho do projeto. Com 12.262 metros, ele ultrapassa a altura do Monte Everest, que tem cerca de 8.848 metros acima do nível do mar.

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Na prática, se o Everest fosse colocado “de cabeça para baixo”, ainda assim não alcançaria o fundo do poço. Mesmo com esse avanço, os cientistas chegaram apenas a uma pequena fração do caminho até o centro da Terra, o que reforça a complexidade de explorar as camadas mais profundas do planeta.

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