Homem compra apartamento no 34º andar de prédio que só tem 32 e vive pesadelo

Entenda o caso do comprador que deu R$ 88 mil de entrada e descobriu que seu imóvel ficava em um andar fantasma

Conjunto de edifícios residenciais altos em área urbana densamente povoada, fotografados de baixo para cima sob céu azul e sem nuvens.

O prédio foi construído com dois andares a menos do projeto original / Imagem ilustrativa / Harry Shum / Pexels

Imagine a surpresa — e a óbvia frustração — de comprar a casa própria e, anos depois, descobrir que o seu apartamento simplesmente não existe. Foi exatamente isso o que aconteceu com um homem chamado Shen. Ele é morador da província de Shaanxi, na China, que viu o sonho do imóvel barato se transformar em um verdadeiro pesadelo judicial.

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De olho em uma oportunidade, Shen decidiu comprar um apartamento recém-construído perto da cidade de Xi’an. O negócio parecia imperdível: a construtora pedia 2.646 yuans (cerca de 338 euros) por metro quadrado por um imóvel de aproximadamente 90 metros quadrados, um valor significativamente abaixo do preço de mercado da época. Animado com a pechincha, ele deu uma entrada de 117.700 yuans (cerca de 15.000 euros).

O que ele não sabia é que o preço baixo escondia uma cilada: o empreendimento ocupava um terreno sem autorização legal para esse tipo de construção, deixando os compradores com proteção jurídica limitada.

O golpe do andar inexistente

Tempos depois, a construtora entrou em contato com Shen para dar uma notícia inacreditável: o edifício tinha apenas 32 andares. O problema? O contrato de compra dizia explicitamente que o apartamento de Shen ficava no 34º andar. Ele havia comprado um imóvel flutuante no horizonte.

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A empresa até tentou oferecer um apartamento diferente em outro andar para compensar o erro. Porém, Shen não tinha condições financeiras de arcar com o valor restante que a construtora exigia naquele momento. Pouco depois, aconteceu o cancelamento da oferta. Sem opções, o comprador exigiu o reembolso integral do seu dinheiro.

A construtora chegou a devolver 20.000 yuans em 2020 e mais 50.000 yuans dois anos depois, mas o processo travou. Cansado de esperar, ele acionou um serviço de mediação e acordou uma indenização extra de 47.000 yuans caso houvesse novos atrasos. Mesmo assim, as parcelas não foram pagas. Com mais de 9.000 euros ainda pendentes e sem receber nenhuma compensação voluntária, Shen não teve outra saída a não ser abrir um processo judicial contra a empresa. Para piorar, descobriu-se que nem os bens e nem o imóvel estavam registrados em seu nome junto à construtora.

O que aprender com o caso para não cair em ciladas

O caso bizarro de Shen acendeu um alerta para o mercado imobiliário e serve de lição: o preço e as facilidades de financiamento nunca devem ser os únicos fatores avaliados na hora de comprar um apartamento.

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Se você está pensando em investir em um imóvel, os especialistas recomendam cuidados indispensáveis para passar longe de dores de cabeça:

  • Pesquise o histórico e as licenças: Certifique-se de que o prédio possui todas as autorizações da prefeitura e se o terreno está regularizado.
  • Analise as atas de condomínio: Se o prédio já estiver pronto, as atas das assembleias revelam conflitos internos, reformas planejadas e a real situação do fundo de reserva.
  • Faça as contas com rigor: Bancos costumam ser muito rígidos nos cálculos de financiamento, por isso é essencial colocar na ponta do lápis os custos adicionais (impostos, escrituras e taxas) para não faltar dinheiro no meio do caminho.

Ignorar a parte burocrática e legal de um imóvel pode fazer com que uma suposta “oportunidade de ouro” se transforme em um processo arrastado na Justiça.