Ataques russos atingem Kiev e Kharkiv enquanto países discutem paz em Abu Dhabi

Ofensiva com drones deixa mortos e feridos no mesmo momento em que Rússia, Ucrânia e EUA tentam negociar o fim do conflito

Pela primeira vez em quatro anos delegados se reúnem diretamente mas ataques noturnos na Ucrânia testam a viabilidade do diálogo.

Pela primeira vez em quatro anos delegados se reúnem diretamente mas ataques noturnos na Ucrânia testam a viabilidade do diálogo. | AFP/Getty Images

Em uma noite marcada por violência e diplomacia paralela, ataques noturnos russos com drones atingiram a Ucrânia, resultando em pelo menos uma morte e 15 feridos nas cidades de Kharkiv e Kiev.

A ofensiva aérea ocorreu enquanto representantes da Rússia, Ucrânia e Estados Unidos iniciavam, em Abu Dhabi, as primeiras conversações trilaterais de paz para discutir o fim de quatro anos de guerra.

Segundo autoridades locais, que confirmaram o balanço de vítimas neste sábado (24/1), toda a Ucrânia estava em alerta aéreo durante a noite.

Em Kiev, a ameaça se concretizou com um ataque maciço. “Kiev é alvo de um ataque inimigo maciço”, alertou o prefeito Vitali Klitschko na plataforma Telegram, informando que alvos não residenciais, como escritórios e depósitos, foram atingidos na capital.

O ataque lança uma sombra sobre o frágil processo diplomático que começou na sexta-feira nos Emirados Árabes Unidos. Pela primeira vez desde o início da invasão, delegados dos três países se reuniram para discutir diretamente os termos de um possível fim do conflito.

Em declarações anteriores, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, já havia sinalizado que a “delicada questão do território” ocupado pela Rússia permanece como o principal obstáculo nas negociações.

Os diálogos, considerados exploratórios, devem continuar neste sábado, em um teste à viabilidade de um caminho para a paz enquanto os combates no terreno persistem.

As autoridades militares em Kiev haviam advertido especificamente sobre a ameaça iminente de drones e mísseis balísticos horas antes dos ataques, que destacam a capacidade contínua de Moscou de atingir centros urbanos ucranianos. O incidente reforça os desafios de conciliar a ação militar com a mesa de negociações.