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Ataque ou erro fatal? O 'Frankenstein' biológico dos EUA que morreu em missão na 2° Guerra Mundial

Em meio ao caos da Segunda Guerra Mundial, um navio camuflado partia da Austrália rumo à Inglaterra levando um passageiro ultrassecreto, um ornitorrinco

Ana Clara Durazzo

Publicado em 07/04/2026 às 11:30

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A ideia era curiosa, mas estratégica: conquistar a simpatia do líder britânico em um momento em que a Austrália se sentia ameaçada pela expansão japonesa no Pacífico / ImageFX

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Em meio ao caos da Segunda Guerra Mundial, uma missão incomum cruzava os oceanos em 1943: um navio camuflado partia da Austrália rumo à Inglaterra levando um passageiro ultrassecreto, um ornitorrinco.

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Batizado de Winston, o raro animal seria um presente diplomático ao então primeiro-ministro britânico Winston Churchill. A ideia era curiosa, mas estratégica: conquistar a simpatia do líder britânico em um momento em que a Austrália se sentia ameaçada pela expansão japonesa no Pacífico.

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Um presente inusitado em meio à guerra

O ornitorrinco sempre despertou fascínio no mundo científico. Trata-se de um dos poucos mamíferos que botam ovos, com aparência considerada tão incomum que já foi vista como fraude no passado.

Churchill, conhecido por seu interesse em animais exóticos, demonstrou desejo de ter um exemplar. A Austrália viu nisso uma oportunidade diplomática.

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Para garantir a viagem, Winston recebeu uma estrutura especial: uma caixa com água de riacho, tocas de feno e até um estoque de cerca de 50 mil vermes para alimentação durante os 45 dias de travessia.

Trata-se de um dos poucos mamíferos que botam ovos, com aparência considerada tão incomum que já foi vista como fraude no passado

Morte misteriosa em alto-mar

Mas o plano não saiu como esperado.

Dias antes de chegar ao destino, o animal foi encontrado morto dentro da gaiola, em pleno Oceano Atlântico. A situação era delicada: além da frustração, havia o risco de um incidente diplomático.

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Por isso, tanto a morte quanto a própria existência do ornitorrinco foram mantidas em segredo por anos.

Com o tempo, surgiram rumores de que Winston teria sido vítima de ataques nazistas, após o navio supostamente encontrar um submarino alemão.

O caso se tornou um exemplo curioso de como até mesmo um animal pode estar no centro de estratégias políticas globais

Mistério resolvido décadas depois

A verdadeira causa da morte só começou a ser esclarecida mais de 80 anos depois.

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Pesquisadores analisaram registros da viagem, incluindo o diário de bordo do cuidador do animal, e chegaram a uma conclusão surpreendente: não houve ataque.

Os dados mostraram que, ao cruzar o Equador, o navio enfrentou temperaturas superiores a 27 °C por vários dias, limite crítico para a sobrevivência do ornitorrinco.

Na prática, o animal morreu por estresse térmico.

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Diplomacia, ciência e tragédia

O caso se tornou um exemplo curioso de como até mesmo um animal pode estar no centro de estratégias políticas globais.

A tentativa de usar o ornitorrinco como "ponte diplomática" revela o nível de tensão da época e a criatividade  ou desespero de governos em meio à guerra.

Apesar do fracasso da missão, a história atravessou décadas como um mistério, alimentado por teorias e versões conflitantes.

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Hoje, com acesso a documentos históricos e avanços científicos, o episódio ganhou uma nova interpretação,  menos dramática do que os rumores de guerra, mas igualmente marcante.

Muito além de uma curiosidade

Mais do que uma história inusitada, o caso de Winston mostra como decisões políticas, desconhecimento científico e condições extremas podem se cruzar de forma inesperada.

E prova que, mesmo em tempos de guerra, até um pequeno animal pode carregar grandes expectativas e deixar uma história que atravessa gerações.
 

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