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Líder deposto da Venezuela foi capturado por forças especiais dos Estados Unidos em Caracas; ação provoca reação internacional e reabre disputa sobre o petróleo venezuelano
Maduro, de 63 anos, está detido no Brooklyn, ao lado da esposa, Cilia Flores, e deve se apresentar ao tribunal federal de Manhattan às 12h (14h em Brasília) / Marcelo Camargo/Agência brasil
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O líder deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, deve comparecer a um tribunal federal em Nova York nesta segunda-feira para responder a acusações de tráfico internacional de drogas, enquanto a Organização das Nações Unidas (ONU) avalia a legalidade da operação conduzida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que resultou em sua captura
A ação é considerada a maior intervenção militar dos EUA na América Latina desde a invasão do Panamá, em 1989. No último fim de semana, forças especiais norte-americanas desembarcaram em Caracas com helicópteros e romperam o esquema de segurança que protegia Maduro, prendendo-o na entrada de uma sala segura fortemente vigiada
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Maduro, de 63 anos, está detido no Brooklyn, ao lado da esposa, Cilia Flores, e deve se apresentar ao tribunal federal de Manhattan às 12h (14h em Brasília). Ele é acusado de comandar uma rede de tráfico de cocaína ligada a grupos armados e criminosos, como os cartéis mexicanos de Sinaloa e Zetas, as Farc e a facção venezuelana Tren de Arágua
Trump tem classificado Maduro como ditador e chefe do narcotráfico, mas também deixou claro o interesse estratégico dos EUA nas riquezas petrolíferas da Venezuela, país que possui as maiores reservas de petróleo do mundo, estimadas em cerca de 303 bilhões de barris, principalmente na região do Orinoco
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Apesar desse potencial, o setor petrolífero venezuelano enfrenta forte declínio há décadas, com produção média de 1,1 milhão de barris por dia no último ano — cerca de um terço do pico registrado nos anos 1970 — em razão de má gestão, falta de investimentos e sanções internacionais.
Inicialmente, aliados de Maduro denunciaram a operação como um 'sequestro' e uma apropriação colonial do petróleo venezuelano. No entanto, a presidente interina Delcy Rodríguez mudou o discurso no domingo e sinalizou disposição para diálogo com Washington.
'Convidamos o governo dos EUA a trabalhar juntos em uma agenda de cooperação orientada para o desenvolvimento compartilhado dentro da estrutura do direito internacional', afirmou Rodríguez, defendendo paz e diálogo em vez de confronto
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Figura histórica do movimento chavista, Rodríguez é conhecida tanto pelo discurso duro quanto por uma postura pragmática, com trânsito no setor privado e defesa de maior ortodoxia econômica.
A captura de um chefe de Estado estrangeiro provocou reação imediata no cenário internacional. O Conselho de Segurança da ONU deve debater a legalidade da ação e suas implicações. Rússia, China e aliados de esquerda da Venezuela condenaram a operação, acusando os EUA de violar o direito internacional
Cuba, principal aliada de Caracas, afirmou que 32 militares e agentes de inteligência cubanos morreram durante a incursão americana. Já os aliados de Washington adotaram postura cautelosa, evitando condenações diretas e defendendo diálogo, embora alguns tenham saudado a saída de Maduro do poder.
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Trump afirmou que poderá ordenar novas ações militares caso a Venezuela não coopere com a abertura de sua indústria petrolífera e o combate ao narcotráfico. Ele também ameaçou agir em outros países da região e declarou que empresas petrolíferas dos EUA retornarão à Venezuela. 'Estamos recuperando o que eles roubaram. Nós estamos no comando', disse o presidente norte-americano
Enquanto isso, o futuro político da Venezuela permanece incerto, com um governo interino fragilizado, pressões internacionais crescentes e um cenário de alta tensão geopolítica que deve dominar o debate global nos próximos dias.