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Amazônia, geleiras e corais da América Latina estão em situação quase irreversível, diz relatório

O novo relatório da OMM (Organização Meteorológica Mundial)foi divulgado na última sexta-feira (22)

Andrea Figueras Ariso, da Folhapress

Publicado em 23/07/2022 às 22:01

Atualizado em 24/07/2022 às 15:23

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A OMM insiste na necessidade de uma ação coordenada "baseada na ciência" / Santiago Armas/Xinhua

Mudanças climáticas colocam em situação quase "crítica" e "irreversível" as geleiras, os recifes de corais e a floresta amazônica, considerados sistemas vitais na América Latina e no Caribe, segundo relatório da OMM (Organização Meteorológica Mundial) divulgado na última sexta-feira (22).

A OMM prevê deterioração na área dos ecossistemas naturais e das populações, o que dificultará as colheitas e o abastecimento de água e alimento.

"O agravamento da mudança climática e os efeitos combinados da pandemia da Covid-19 não apenas afetaram a biodiversidade da região, mas também travaram décadas de progresso contra a pobreza, a insegurança alimentar e a redução das desigualdades", afirma Mario Cimoli, da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe).

Um exemplo disso são os efeitos dos furacões Eta e Iota que, em 2020, juntamente às dificuldades econômicas derivadas da pandemia de Covid, levaram 7,7 milhões de pessoas a uma situação de insegurança alimentar em 2021 na Guatemala, em El Salvador e na Nicarágua.

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Além disso, nos últimos anos, centenas de pessoas morreram, ou foram deslocadas, em razão de secas, ondas de calor e frio, ciclones tropicais e inundações na América Latina e Caribe. Os Andes, o nordeste do Brasil e os países do norte da América Central são algumas das regiões mais sensíveis à migração climática.

O relatório da OMM analisa os números de 2021, entre os quais se destacam a taxa de desmatamento, a maior desde 2009, e a perda de mais de 30% da superfície das geleiras em menos de 50 anos.

A tendência de aumento da temperatura continua, seguindo uma taxa de crescimento de 0,2°C por década entre 1991 e 2021, o dobro da taxa registrada a cada dez anos entre 1961 e 1990.

A bacia do Paraná-Prata, na região centro-oeste da América Latina, sofreu o impacto dos furacões pelo sexto ano consecutivo. O relatório prevê que esses fenômenos podem aumentar na América Central e no Caribe.

Além disso, o nível do mar aumentou a um ritmo mais rápido do que no restante do mundo, ameaçando as populações costeiras com erosão, inundação de áreas baixas, aumento das ondas de tempestade e contaminação de aquíferos.

As chuvas extremas também atingiram níveis históricos e causaram danos a casas, deslocamentos e a morte de centenas de pessoas, devido a enchentes e a deslizamentos de terra.

No extremo oposto, está a escassez de água, devido ao encolhimento das geleiras e às secas. Uma perda de área glacial de 30% foi registrada nos Andes tropicais, 50% só no Peru, em comparação com 1980.
O Chile lidera a crise hídrica na região, devido à seca na zona central do país, a mais longa da América Latina e do Caribe no milênio.

A OMM prevê que as secas se intensificarão no nordeste do Brasil, na Amazônia, na América Central, no Caribe e em partes do México.

Entre 2020 e 2022, ocorreram 175 desastres na América Latina e no Caribe, segundo dados do UNDRR (Escritório das Nações Unidas para Redução do Risco de Desastres, na sigla em inglês). 88% desses eventos tiveram causas meteorológicas, climatológicas ou hidrológicas.

A OMM insiste na necessidade de uma ação coordenada "baseada na ciência". "São necessários serviços climáticos, sistemas de alerta precoce de ponta a ponta e investimentos sustentáveis, mas ainda não foram implantados adequadamente na região da América Latina e do Caribe", diz o relatório.

O estudo conclui que o impacto das mudanças climáticas na América Latina e no Caribe afeta todo o planeta, principalmente devido à diminuição da área de floresta amazônica, que só em 2021 perdeu 22% da sua vegetação.

"A contínua degradação da floresta amazônica continua sendo uma grande preocupação tanto para a região quanto para o clima global, dado o papel que a floresta desempenha no ciclo do carbono", disse o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.

Os mercados agrícolas ao redor do mundo também sofreram com a redução das safras, principalmente de milho e soja, devido à seca na bacia do Paraná-Prata. Entre 2020 e 2021, a safra de cereais caiu 2,6% na América Latina.

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