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A cena impressiona pela rapidez do deslocamento em terreno árido, levantando questionamentos sobre a capacidade física desses animais, seu comportamento e os riscos reais para humanos
Em campo aberto, pode atingir cerca de 20 km/h, velocidade significativa para um réptil sem patas / Diego de Medeiros Bento, Wikimedia Commons
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O registro de uma serpente atravessando uma estrada de terra em alta velocidade na Síria viralizou nas redes sociais e reacendeu uma dúvida antiga: cobras podem mesmo 'correr'?
A protagonista do vídeo é a Dolichophis jugularis, conhecida como cobra-cipó-grande — uma espécie comum no Oriente Médio e em partes da Europa.
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A cena impressiona pela rapidez do deslocamento em terreno árido, levantando questionamentos sobre a capacidade física desses animais, seu comportamento e os riscos reais para humanos.
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A cobra-cipó-grande é ativa durante o dia e adaptada a ambientes secos e semiáridos. Campos abertos, pastagens e margens de estradas são locais ideais para sua movimentação, pois oferecem espaço livre para acelerar.
Seu corpo alongado e musculoso favorece deslocamentos rápidos em superfícies firmes. Em campo aberto, pode atingir cerca de 20 km/h, velocidade significativa para um réptil sem patas.
O vídeo registrado na Síria mostra exatamente esse padrão: fuga quase contínua, com mudanças rápidas de direção, comportamento típico de uma espécie que prefere evitar confronto direto.
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O segredo está na combinação entre anatomia e ambiente.
A musculatura segmentada ao longo do corpo gera ondulações laterais que empurram o solo sucessivamente. Esse tipo de locomoção é especialmente eficiente em terrenos compactados, como estradas de terra.
Alguns fatores explicam o desempenho:
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Corpo alongado e musculoso: facilita a propagação das ondas de movimento.
Escamas ventrais amplas: aumentam o atrito com o solo, melhorando a tração.
Atividade em horários mais frescos: favorece melhor desempenho metabólico.
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Preferência por áreas desobstruídas: clareiras e trilhas reduzem obstáculos.
O resultado é um deslocamento fluido e surpreendentemente veloz.
Do ponto de vista médico, a cobra-cipó-grande não é considerada venenosa para humanos. Quando acuada, pode erguer parte do corpo e sibilar, mas sua reação mais comum é a fuga rápida.
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Comparada a víboras e outras serpentes peçonhentas da região, representa baixo risco.
Especialistas recomendam, no entanto, cautela em qualquer encontro com serpentes:
Manter distância
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Evitar movimentos bruscos
Não tentar capturar o animal
Comunicar autoridades de fauna em caso de recorrência em áreas habitadas
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Além disso, a espécie desempenha papel importante no controle de roedores, contribuindo para o equilíbrio ecológico e proteção de lavouras.
Registros como o da cobra-cipó-grande — e outros, como pítons escalando árvores rapidamente — ajudam a desmistificar a ideia de que serpentes são animais lentos e limitados ao movimento arrastado.
Em situações de caça ou fuga, muitas espécies são capazes de aceleração impressionante.
Compartilhados nas redes sociais, esses vídeos despertam curiosidade sobre herpetologia e conservação, além de reforçar a importância de informação precisa sobre os riscos reais e a função ecológica desses animais.
No fim das contas, a cena que viralizou não mostra uma ameaça iminente, mas sim a eficiência evolutiva de uma espécie perfeitamente adaptada ao ambiente onde vive.