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A história sombria por trás da Fanta: como o nazismo criou o refrigerante mais amado do Brasil

Refrigerante lançado no Brasil em 1964 virou fenômeno de vendas, mas nasceu na Alemanha durante a guerra por falta do xarope americano

Ana Clara Durazzo

Publicado em 03/02/2026 às 08:30

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Apesar das inovações, a Fanta Laranja permanece como a soberana absoluta, provando que a 'fantasia' criada no improviso da guerra se transformou em um império de bilhões de dólares / Divulgação

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Lançada no Brasil em 1964, a Fanta rapidamente se tornou um pilar do portfólio da Coca-Cola no país. Hoje, o Brasil é o líder mundial em vendas do produto, que ocupa o posto de segundo refrigerante mais consumido da companhia, atrás apenas da própria Coca-Cola.

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Mas o que poucos sabem é que o sabor que marcou gerações tem uma origem sombria: a Alemanha nazista.

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O Nascimento na Escassez (1942)

Diferente do que se imagina, a Fanta não nasceu com sabor de laranja. Ela surgiu em 1942 como uma solução de emergência. Com a Segunda Guerra Mundial e o embargo dos Aliados, a subsidiária alemã da Coca-Cola, liderada por Max Keith, ficou isolada e sem o xarope original vindo de Atlanta.

Para não fechar as fábricas, Keith ordenou a criação de uma bebida com o que restasse da indústria alimentícia alemã. O resultado foi um 'Frankenstein' líquido composto por soro de leite (resíduo da produção de queijos), fibras e polpa de maçã (sobras de prensagem), açúcar de beterraba e raspas de frutas sazonais.

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Curiosidade: O nome vem de Fantasie (fantasia, em alemão), sugerido após um concurso interno para estimular a imaginação dos funcionários.

De 'Adoçante' a Sucesso de Vendas

A Fanta original era escura, de sabor indefinido e muito diferente da atual. No entanto, foi um sucesso imediato: em 1943, já vendia 3 milhões de caixas. Devido ao racionamento de comida, o público não apenas a bebia, mas a utilizava como substituto do açúcar em sopas e sobremesas.

O Pós-Guerra e a Polêmica Ética

Com a derrota da Alemanha em 1945, a produção foi interrompida. Max Keith, embora tenha operado sob o Terceiro Reich, foi aclamado pela Coca-Cola como o herói que salvou a operação europeia.

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Essa herança, contudo, gera divergências: enquanto pesquisadores e historiadores apontam que Keith colaborou com o regime por pragmatismo corporativo para manter a empresa viva, a Coca-Cola nega categoricamente qualquer vínculo oficial com o nazismo e refuta a tese de que a marca tenha sido uma invenção do regime.

A Reinvenção: A Fanta Laranja que Conhecemos

A versão moderna, vibrante e cítrica, só surgiu em 1955, na Itália. A Coca-Cola aproveitou a fartura de citrinos na região e resgatou o nome 'Fanta', que já estava registrado. Em 1958, o produto chegou aos EUA, marcando a primeira vez que a companhia diversificou seu catálogo para além do sabor cola.

O Fenômeno Brasileiro

Desde sua chegada ao Brasil, a Fanta se tornou um ícone cultural. Dados do Opinion Box reforçam sua relevância, indicando que 48% dos consumidores lembram da Fanta espontaneamente quando o assunto é refrigerante.

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O Brasil também se tornou um laboratório de sabores, testando variações de Uva, Guaraná, Caju e Maracujá. Apesar das inovações, a Fanta Laranja permanece como a soberana absoluta, provando que a 'fantasia' criada no improviso da guerra se transformou em um império de bilhões de dólares.

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