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Prefeitos do Litoral Norte vão à Justiça pedir bloqueios rodoviários no feriadão

Duas das cidades - São Sebastião e Ubatuba - estão entre as que mais observam o isolamento social no Estado

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19 MAI 2020Por Estadão Conteúdo16h54
Prefeitos do Litoral Norte estão recorrendo à Justiça para bloquear o acesso de turistas às praias durante o feriadãoFoto: Divulgação

Prefeitos do Litoral Norte estão recorrendo à Justiça para bloquear o acesso de turistas às praias durante o feriadão prolongado em São Paulo. Eles alegam que a antecipação dos feriados já decretada pelo prefeito da capital, Bruno Covas, e também pretendida pelo governador João Doria, coloca em risco o isolamento social conseguido "às duras penas" pelas cidades da região. Duas das cidades - São Sebastião e Ubatuba - estão entre as que mais observam o isolamento social no Estado.

Na capital paulista, decreto assinado na manhã desta terça-feira, 19, por Bruno Covas antecipa os feriados de Corpus Christi e da Consciência Negra para esta semana, visando aumentar o isolamento social e reduzir o avanço da covid-19. A extensão do feriado ao restante do Estado depende de votação na Assembleia Legislativa. A medida anteciparia os feriados de Corpus Christi e da Consciência Negra para esta quarta, 20, e quinta-feira, 21, respectivamente, e o feriado da Revolução de 32 para a próxima segunda-feira, 25.

O prefeito de São Sebastião, Felipe Augusto (PSDB), informou que o pedido de bloqueios foi apresentado à Justiça na manhã desta terça-feira. "Pedimos o apoio da Polícia Rodoviária para fechar a rodovia Rio-Santos nas divisas com Bertioga e com Caraguatatuba. Estamos mostrando que esses feriados trazem um impacto grave, pois as 14 milhões de pessoas da capital não vão ficar em casa. Toda vez que teve feriado, tivemos um aumento de 30% nos casos de coronavírus no município. São 100 mil veranistas que entram, além dos 45 mil que já estão aqui", disse

Antes de falar com a reportagem, o prefeito usou uma rede social para contestar a proposta, que chamou de "sacanagem". "Vai ficar todo mundo em São Paulo, com sol no fim de semana? Vai dizer pra mim que vai ficar lá em São Paulo, na janela do apartamento olhando para o Parque Ibirapuera? É brincadeira, né? Vai vir todo mundo para cá", disse, em vídeo.

Ao Estadão, ele afirmou que, se não tiver sucesso no fechamento da rodovia, será obrigado a liberar as praias para os 500 ambulantes locais que estão com alvarás suspensos. "É uma falta de respeito absurdo. Ficamos aqui com toda a fiscalização correndo para fechar as praias, aí vira feriado lá e vem todo mundo para cá. É brincadeira!", desabafou.

O prefeito de Caraguatatuba, Aguilar Junior (MDB), informou que também deve pedir autorização à Justiça para fechar os acessos. "Não podemos jogar fora, em três ou quatro dias, todo o trabalho que fizemos nestes dois meses. Se a situação hoje está controlada, com apenas dez leitos de UTI ocupados, é porque conseguimos manter o isolamento. Já conversamos com o Estado e precisamos de apoio agora. A capital está pensando nela, o que é certo, mas temos que garantir a saúde do nosso pessoal aqui. Não queremos chegar ao extremo de ter que abrir as praias em plena pandemia", ressaltou.

Ilhabela
A prefeita endureceu ainda mais a restrição para entrada na Cidade. Para pessoas que vieram de municípios afetados pelo vírus, com autorização para entrar no arquipélago, foi decretado isolamento de 14 dias em casa ou no hospital.

A restrição foi adotada com base em leis e orientações de órgãos nacionais e internacionais, que estabeleceram medidas para enfrentamento de emergência na saúde pública.

Os profissionais de saúde da rede pública devem aplicar medidas de isolamento com o objetivo de separar pessoas sintomáticas ou assintomáticas, em investigação clínica e laboratorial, para evitar a propagação da infecção e transmissão no município.

O isolamento deve ser cumprido, preferencialmente, em domicílio, mas também em hospitais ou ambientes indicados pelo Poder Público, conforme recomendação médica e estado clínico de cada paciente.

De acordo com a prefeitura, a medida abrange casos positivos, seus contatos próximos e viajantes sintomáticos ou assintomáticos que retornarem (mesmo com autorização) de localidades afetadas pela Covid-19. O arquipélago tem 33 casos confirmados e nenhum óbito.

Estado
Para o secretário de Desenvolvimento Social do Estado, Marco Vinholi, o super feriado é uma forma de garantir a elevação dos índices de isolamento social e proteger vidas. “Mas para não sobrecarregar as cidades litorâneas, o Estado oferecerá o apoio que venha a ser solicitado pelos prefeitos para implantação das barreiras de acesso e conscientização dos turistas”. 

Ele ainda deixou uma mensagem à sociedade: “a quarentena não é para viajar, mas sim para se fazer isolamento social e ficar em casa nesse momento fundamental de combate à epidemia”.