Pinguim é encontrado morto com máscara no estômago

Animal foi achado na praia de Juquehy, em São Sebastião, após feriado de 7 de setembro

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16 SET 2020Por Mara Cirino16h50
Corpo de pinguim estava com máscara facial contra CovidFoto: Divulgação/Instituto Argonauta

Um Pinguim-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) encontrado morto na Praia de Juquehy, na Costa Sul de São Sebastião, dois dias após o feriado prolongado de 7 de setembro, estava com uma máscara facial N95 em seu estômago.

A descoberta foi feita durante necropsia realizada pelo Instituto Argonauta para Conservação Costeira após o animal ter sido recolhido pela equipe do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) chamada para a ocorrência.

De acordo com informações da equipe técnica, ele estava muito magro e com muita areia em todo o corpo. O pinguim foi levado para a Unidade de Estabilização (UE) do Argonauta e, para a surpresa de todos, o exame mostrou que ele estava com a máscara facial no seu estômago.

O oceanógrafo e presidente do Instituto Argonauta, Hugo Gallo Neto, atenta para os problemas que estão sendo ocasionados pelo descarte inadequado de resíduos, em especial a esse tipo de lixo gerado pela pandemia da Covid-19.

 

“Nós já vínhamos alertando para o aparecimento de máscara e esse caso é a prova inequívoca de que esse tipo de resíduo causa mal e mortalidade também na fauna marinha, além da irresponsabilidade da pessoa que dispensa uma máscara em um lugar inadequado, pois é um lixo hospitalar com risco de contaminação de outras pessoas”.

Na avaliação de Gallo, a falta de educação da população que frequenta o Litoral Norte em relação à questão de resíduos precisa ser trabalhada de forma eficiente em todos os níveis e com a criação de legislação mais rígida para evitar que as pessoas joguem lixo em qualquer lugar.

“O impacto não é somente na fauna, mas também na saúde e na questão econômica porque tem que limpar a sujeira que as pessoas deixam. Se deixar a Praia Grande com o lixo que as pessoas estão deixando, por exemplo, no dia seguinte ninguém vai querer ir lá. Está se tornando um problema crônico e de grande impacto”, avaliou o oceanógrafo.