SABESP AGOSTO DESK TOPO
SABESP AGOSTO MOB

Instituto Argonauta flagra imagens subaquáticas de tubarão-baleia em Ilhabela

O avistamento foi subaquático próximo à ilha da Serraria

Comentar
Compartilhar
30 JUL 2020Por Gazeta de S. Paulo17h55
Pinguim é resgatado pelo biólogo Manuel AlbaladejoFoto: Instituto Argonauta

A equipe do Instituto Argonauta para Conservação Costeira e Marinha avistou, na terça-feira (28), um tubarão-baleia (Rhincodon typus) de cerca de 10m de comprimento, em Ilhabela, no Litoral Norte paulista. O avistamento foi subaquático próximo à ilha da Serraria.

O tubarão-baleia representa a maior espécie de peixe do mundo. Ao contrário da maioria das espécies, ele atua como um filtrador, alimentando-se de plâncton e pequenos peixes como anchovas e sardinhas.

De tamanho notável (pode alcançar até 12 m de comprimento e peso de 12,5 toneladas) e aparência semelhante à de uma baleia, o tubarão-baleia caracteriza-se por uma cabeça achatada e boca grande, cuja abertura pode atingir até 1,5 m, quase a largura total de seu corpo.

Conforme gerente da base do Instituto Argonauta em São Sebastião, oi biólogo Manuel da Cruz Albaladejo, o animal é extremamente dócil e inteligente e não representam perigo para os seres humanos.

Já a bióloga Carla Beatriz Barbosa, destaca que o registro de tubarão-baleia na região é um fato importante, pois ainda existem poucas informações relacionadas a aspectos ecológicos e biológicos deste animal em todo o mundo.

Na IUCN, a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Extinção, o tubarão-baleia tem um status em perigo ou, em inglês, endangered (EN): quando a melhor evidência disponível indica que uma espécie provavelmente será extinta num futuro próximo.

"Saídas como esta são extremamente importantes para a divulgação do trabalho da instituição, bem como pelo registro e divulgação da importância da preservação do Litoral Norte paulista que possui uma rica biodiversidade”, comenta o oceanógrafo e presidente do Instituto Argonauta Hugo Gallo Neto.

É importante ressaltar que no Brasil a espécie não tem importância comercial e a captura e desembarque são proibidos por lei, que define que “estão proibidas de serem capturadas, exceto para fins científicos, mediante autorização especial do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA)”.

Para acionar o serviço de resgate de mamíferos, tartarugas e aves marinhas, vivos debilitados ou mortos, a pessoa pode entrar em contato pelos telefones 0800-642-3341 ou diretamente para o Instituto Argonauta: (12) 3833.4863 - 3833.5789/ (12) 3834.1382 (Aquário de Ubatuba)/ (12) 3833.5753/ (12) 99705.6506 e (12) 99785.3615 - WhatsApp.

Pinguins nas praias de São Sebastião

A presença de pinguins tem sido uma constante nas praias do Litoral Norte paulista. Nesta época do ano, muitas aves são resgatadas porque a região está na rota migratória.

Segundo o Instituto Argonauta, já foram encontrados nas areias de São Sebastião 458 animais marinhos, sendo 354 pinguins. Contudo, 289 já estavam mortos.

De acordo com a prefeitura local, é possível perceber a chegada de muitos jovens Pinguins de Magalhães na região. Todos os anos eles migram da Patagônia argentina em busca de alimento, mas parte deles acaba se perdendo do grupo e são encontrados nas praias.

O oceanógrafo Hugo Gallo Neto nota que em comparativo com anos anteriores, há um número expressivo de ocorrências. “Percebemos que neste ano há muitos pinguins chegando. Infelizmente, muitos deles não sobrevivem, uma vez que já chegam debilitados pela falta de alimento”, ressalta.

A bióloga Carla Beatriz Barbosa explica que esses pinguins permanecem na água durante a época não reprodutiva, entre os meses de abril e setembro. "É neste período que esses animais são encontrados, muitas vezes fracos, debilitados e necessitando de cuidados. Aqui na região, estes animais são encaminhados para a unidade do Argonauta em São Sebastião, para que depois de reabilitados sejam devolvidos à natureza”.