‘Toque de recolher’ da Prefeitura causa indignação em Itanhaém

Iniciativa foi batizada pelos vereadores da oposição. Para Prefeitura, trata-se de Força Tarefa

A atitude tomada no último sábado (4), pela Secretaria Municipal de Segurança de Itanhaém, de obrigar o fechamento do comércio, principalmente o localizado no Centro Histórico da Cidade, às duas horas da madrugada, vem causando indignação de estudantes, artistas, comerciantes e vereadores de oposição, que batizaram a iniciativa de ‘toque de recolher’. A informação é do vereador César Ferreira, o Cesinha (PSB), que já está pedindo oficialmente uma satisfação ao prefeito Marco Aurélio Gomes dos Santos (PSDB).

Continua após a publicidade

Segundo Cesinha, a Força Tarefa (nome dado pela Administração), que envolveu as polícias militar e civil, teria a finalidade de impedir abusos e autuar os infratores com as penalidades da chamada lei do silêncio. No entanto, acabou abordando indiscriminadamente comerciantes em área de interesse estritamente comercial, determinando o fechamento dos estabelecimentos, constrangendo além dos proprietários e funcionários, os clientes que consumiam e se divertiam nas dependências dos comércios, entre eles, lanchonetes, bares e restaurantes. 

“A desculpa dada é que os comerciantes não possuíam alvará especial para trabalhar após às duas horas. Porém, o Código de Posturas do Município (Lei 1.322/85) não estabelece limite de horário para alvará especial. Ainda soube que a Prefeitura estaria recusando protocolos de pedidos de alvarás especiais, informando verbalmente que aqueles comerciantes que insistirem no protocolo poderiam ter negado seus alvarás de licença e funcionamento”, afirma Cesinha.

Continua após a publicidade

Cidade Turística. O parlamentar ressalta que o ‘Toque de Recolher’ se deu justamente na área comercial – em que não há residências. Neste sentido, acredita que comerciante acabou sendo punido por infrações de terceiros, que descumpriam a lei do silêncio nas vias públicas. “Não há cabimento que as regras de uma cidade turística, cuja geração de emprego e renda são oriundas do comércio e serviços estabeleça um horário limite de 20 horas para a concessão de alvará de funcionamento e localização”, afirma. 

Cesinha está requerendo ao prefeito Marco Aurélio encaminhe urgente à Câmara a revisão e atualização do Código de Posturas e a fundamentação legal para a concessão de alvará de horário especial limitado somente até às duas horas. 

Continua após a publicidade

Além disso, que suspenda o chamado “Toque de Recolher”; que fortaleça a fiscalização à veículos automotores que infringirem a Lei do Silêncio; que promova atividades culturais e artísticas nas praças localizadas nos bairros da cidade, priorizando a contratação de artistas e músicos locais, levando lazer e entretenimento a todos os bairros; que implante programas de massificação do esporte, da arte e cultura nas escolas e bairros da cidade, no sentido de combater o uso de drogas entre jovens e que estabeleça o fim do cerceamento dos espaços públicos para a realização de atividades artísticas e culturais.

Prefeitura garante manter a Força Tarefa

Continua após a publicidade

Procurada, a Prefeitura de Itanhaém garante, por intermédio de sua Assessoria de Imprensa, que os comerciantes não foram ­penalizados.

A Administração revela que houve apenas uma ação de fiscalização que verificou as condições exigidas pelo Código de Posturas, definida pelo Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM). 

Continua após a publicidade

O Gabinete de Gestão é composto pelas forças policiais, secretarias municipais e ­sociedade civil, que se reúnem mensalmente para ­discutir ações de apoio à segurança pública. 
Conforme a Administração, o GGIM vinha recebendo frequentes queixas com relação aos transtornos registrados no período noturno, sobretudo às quintas e aos sábados. 

O Código de Posturas permite uma flexibilização no horário de funcionamento do ­estabelecimento, ­desde que tal medida não ­provoque impactos negativos na vizinhança. 

Continua após a publicidade

Informa ainda que, na última terça-feira (7), foi realizada reunião com comerciantes da área do Centro para orientar sobre a legislação ­municipal. 

Na ocasião os comerciantes também ­sugeriram alterações na legislação que serão avaliadas pelo Poder ­Público Municipal, que irá manter a sua ação de fiscalização, ­verificando o cumprimento das exigências previstas no Código de Posturas.

Continua após a publicidade

Carrasco também critica ação da Administração

Pelas redes sociais, outro vereador, Conrado Carrasco (Rede), postou que “o Poder Público deve agir para inibir os abusos, as infrações legais, e não para impedir o funcionamento do comércio e a livre reunião das pessoas que tem direito à cidade, direito de ocupar estes espaços”. 

Continua após a publicidade

Para Carrasco, o prejuízo não é apenas do comerciante, mas também dos funcionários e dos músicos que terão menos oportunidades de trabalho e emprego, bem como dos turistas e dos próprios moradores de Itanhaém, que terão menos opções de lazer e entretenimento.