Antigos moradores recebem o grupo que representa a visita dos três Reis Magos ao Menino Jesus / Nayara Martins/DL
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Emoção, alegria e fé. Essa é a mensagem deixada pelo grupo Reisado de Itanhaém ao passar nas casas de antigos moradores para reviver a visita dos três Reis Magos – Gaspar, Baltazar e Melchior ao Menino Jesus. A tradição já é mantida há mais de 300 anos na Cidade.
As visitas começam na noite de 26 de dezembro e seguem até esta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026. O Dia de Reis é comemorado no dia 6 de janeiro.
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Itanhaém, uma das cidades mais antigas do Brasil com 112 mil habitantes, ainda mantém essa tradição do Reisado todos os anos.
As saídas acontecem a partir das 23 horas e seguem até por volta das 4 horas da manhã. Os antigos moradores já aguardam a visita do Reisado nas suas casas.
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Este ano a previsão é de visitar 120 casas em vários bairros.
Entre os moradores estão o livreiro aposentado Eloi Marques e sua esposa, do centro, que recebem o Reisado em casa há cerca de 20 anos.
“Receber o Reisado é um momento de fé e esperança, é trazer benção e energia para o nosso lar. É manter viva a conexão do presente com o passado. É uma tradição que vem de gerações e que deve ser mantida”, destaca.
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A aposentada Laíde Rodrigues da Silva também recebe o Reisado há mais de 20 anos, no bairro Vila São Paulo. Ela já participou do Reisado como um dos Reis Magos e acompanhou o grupo nas visitas às casa de moradores.
“Sinto uma grande alegria e emoção ao receber o grupo do Reisado e a bandeira que abençoa a nossa casa. Meu marido também adora ouvir as músicas caiçaras tocadas pelo grupo”, completa.
Por volta das 23 horas, o grupo do “Reisado de Itanhaém” se reúne e sai em caminhada para visitar as casas de moradores. Existe um roteiro que não é divulgado, pois pode sofrer alterações, além de ser uma surpresa ao morador.
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Diante da casa, em silêncio, alguém anuncia a chegada do grupo, com palmas ou tocando a campainha. Em seguida, o puxador inicia o canto com versos da “entrada” e do “pedido de prendas”.
Ao terminar o canto, o morador acende a luz e abre a porta. “Os Reis” se apresentam e oferecem o “incenso”, o “ouro” e a “mirra”, representados por conchas e folhas do Peguassu, e entregam a mensagem escrita.
A Bandeira, que está sempre à frente do cortejo, é passada às mãos de quem atendeu, que a beija e a leva para abençoar os cômodos da casa.
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A família doa uma prenda ou faz uma oferta em dinheiro. Em algumas das casas acontece a “acolhida”, quando o grupo é convidado a entrar e lhe é servido um lanche. E canta as músicas tradicionais caiçaras da Cidade.
Ao encerrar a visita, o grupo faz a “Oração do Reisado” e canta os versos de “agradecimento e despedida” e sai em direção a uma nova moradia.
De origem portuguesa, a celebração já acontece há cerca de três séculos, no início da Vila Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém.
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Um dos coordenadores Ernesto Bechelli, explica como era a antiga formação do grupo do Reisado.
“Até a década de 60, o grupo era formado somente por homens e com músicos que tocavam instrumentos de sopro. A partir de 1970, jovens, crianças e mulheres começaram a participar. As músicas são acompanhadas por instrumentos de corda, percussão e de sopro, com laços do “vira lusitano”. O violão, o cavaco, a timba e o pandeiro são os instrumentos mais presentes”, salienta.
Hoje o grupo também conta com a Bandeira do Reisado, camisetas, mensagens e figurantes representando os três Reis Magos e as prendas, como as conchas e as folhas de Peguassu.
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