Professora orienta alunos autistas em Itanhaém

Vanda se dedica, há cerca de dez anos, ao trabalho com alunos autistas, nas escolas da rede municipal

Professora Vanda trabalha com arte e jogos para alunos autistas, em escola que pertence a rede municipal, em Itanhaém

Professora Vanda trabalha com arte e jogos para alunos autistas, em escola que pertence a rede municipal, em Itanhaém | Nair Bueno/DL

Trabalhar com perseverança, resiliência e muito carinho pelas crianças. Essas são as qualidades destacadas pela professora Vanda Ribeiro Coutinho, de 69 anos, para exercer a profissão. Há 12 anos, ela ministra aulas nas escolas da rede municipal de Itanhaém. 

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Atualmente, Vanda atende alunos na sala da educação especial, na EM Leonor Mendes de Barros, no bairro Jardim Mosteiro, no município. Na escola, funciona um núcleo com oito crianças autistas, na faixa etária entre 10 a 15 anos, de vários bairros e que se revezam nos períodos da manhã e da tarde. 

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Ela acompanha os alunos de educação especial, há cerca de dez anos, mas também substitui outros professores em várias unidades, nas salas especiais.        

“Aqui atendemos crianças com autismo severo, que em uma sala regular, eles não teriam condições de ficar. São crianças hiperativas e essa sala é o último recurso que elas têm. São oito alunos de 10 a 15 anos, o que corresponde ao ensino fundamental II”, explica.

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Vanda esclarece que é preciso ser muito paciente, trabalhar e respeitar o tempo dos alunos. “Trabalhamos com a pedagogia do amor, quando eles mudam de humor, de forma repentina, temos que estar preparados para lidar com isso”, salienta.      
Segundo a educadora, também é feito um trabalho de apoio à vida diária do aluno para que eles possam ter mais autonomia e viver em sociedade, num futuro próximo. 

“Eles aprendem a comer sozinhos, a sentar à mesa, ir ao banheiro, dobrar uma roupa, guardar o material escolar, além do trabalho pedagógico. O autista tem uma grande dificuldade de socialização e tem que aprender a conviver com os colegas da sala”, salienta. 

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Hoje, os alunos permanecem no horário das 7h30 às 9h30, em uma carga horária de duas horas, na parte da manhã. Já no período da tarde existe mais uma turma que é acompanhada por outra professora na escola.

Na sua opinião, o seu trabalho já demonstra alguns avanços com os alunos autistas. 

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“Antes, ninguém podia tocar no aluno, hoje, eles já vêm e chamam o colega para brincar. E também sentam na mesa e comem sozinhos, além de andarem sem correr e estão mais bem mais tranquilos”, completa.

Entre as atividades desenvolvidas com as crianças, na sala de educação especial, estão as artes, como pinturas em papel, cores e o uso de formas e jogos com peças para montar. Os alunos aprendem ainda o alfabeto e os números de forma lúdica.

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Sonho 

Vanda afirma que desde criança ela já pensava em ser professora, pois se espelhava nos seus educadores. 

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“Porém, antes me formei em técnica de nutrição. Ao mudar para Itanhaém, resolvi estudar mais um pouco. Me formei em Pedagogia e tenho pós-graduação em Educação Especial. Logo que passei no concurso da prefeitura já comecei a lecionar”, frisa a educadora.   

A Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esportes informa que conta com cerca de 580 alunos com algum tipo de necessidade inclusiva na rede municipal. E em salas de AEE (Atendimento Educacional Especializado) e de Educação Especial Exclusiva (EEE) são 26 professores especialistas. Mas que, na rede, são cerca de 120 professores com habilitação ou especialização de educação inclusiva.    

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Autismo
O transtorno do espectro do autismo (TEA) é considerado um transtorno mental de desenvolvimento que causa problemas na linguagem, dificuldades de comunicação, interação social e no comportamento das pessoas.  

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), hoje, essa condição atinge 1 em cada 160 crianças no mundo e 2 milhões de pessoas somente no Brasil.