Eliana Diniz é a primeira mulher a presidir a Colônia de Pescadores em Peruíbe / Nayara Martins/DL
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A presidente da Colônia dos Pescadores Z-5, de Peruíbe, Eliana Diniz, de 50 anos, fala sobre as principais conquistas e os desafios da categoria. Eliana, que também é pescadora e artesã, é a primeira mulher a presidir a entidade e já está na sua terceira gestão como presidente, desde 2012.
Ela explica que a Colônia de Pescadores é um órgão representativo e funciona como um sindicato de classe sem fins lucrativos.
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E funciona em um prédio que já faz parte da história de Peruíbe. Foi a primeira escola da Cidade e funciona como Colônia de Pesca desde 1910. A sede é própria da categoria.
Eliana começou a participar da diretoria da Colônia porque foi casada com um pescador e acompanhava o dia a dia da atividade.
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“Temos realizado diversas reuniões para passar as informações aos pescadores. Hoje, o sistema para regularizar a documentação dos pescadores é por meio do portal gov.br. Mas tem sido um problema aos pescadores, pois a maioria não tem estudo e nem a tecnologia ou o celular nas mãos”, ressalta.
Afirma ainda que pretende transformar a Colônia em utilidade pública, para poder receber recursos de emendas parlamentares e do município.
Um dos direitos do pescador é receber o seguro defeso, neste período de defeso do camarão que vai até o mês de abril e ele não pode pescar o camarão.
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“O pescador ainda não está recebendo o seguro, mas a promessa é que a partir do dia 18 deste mês, ele vai começar a receber o pagamento.
A cidade de Peruíbe é um dos municípios que mais pesca o camarão sete barba na Baixada Santista. E também o peixe frasco, pescado e vendido no Portinho de Pesca.
A Colônia dos Pescadores tem cerca de 700 pescadores associados, mas ativos 400 pescadores amadores e profissionais.
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Ela idealizou o projeto “Grite o seu Peixe na Hora” que começou em 2009, com recursos da Conab, do governo federal.
“Conseguimos um quiosque no Portinho e adquiri equipamentos como mesas de inox e caixas térmicas. Recebemos o pescado do cliente, preparamos e fritamos o peixe na hora para o cliente, no local, frisa.
Eliana conta que, desde 2018, a entidade solicita a utilização do antigo espaço do mercado de pesca. E recebeu a cessão do título da terra para a utilização do local, no dia 18 de dezembro de 2025, por parte do governo federal. É um Termo de Uso Sustentável (TUS).
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No local já funciona a feira de Economia Solidária e um coletivo do Portinho.
Segundo ela, uma das dificuldades aos pescadores é o canal da Barra. Além de voltar a funcionar a fábrica de gelo, que está desativada no Portinho.
“A Cetesb não havia liberado para funcionar, mas com o título da área, vamos conseguir a liberação da licença e instalar a fábrica de gelo e beneficiar os pescadores. E ainda construir uma rampa para o acesso das embarcações, o que gera uma economia”, salienta.
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Hoje, a maior concentração de pescadores com a venda direta do pescado fica no Portinho de Pesca. E ainda na orla das praias nas Ruínas, no bairro Taniguá, além do Guaraú e Barra do Una.
Dia 25 de setembro haverá a eleição para eleger a nova diretoria da Colônia de Pescadores. Interessados em formar chapa devem ser pescador artesanal, associado da colônia e estar quites com a mensalidade.
Eliana também atua como artesã e faz diversas bijuterias com a escama do peixe. Ela aprendeu o ofício em uma reunião de pescadores com uma artesã de Rio das Ostras (RJ) em 2009.
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“A ideia surgiu com essa artesã e por ter várias escamas descartadas no Portinho. Ela me ensinou o cuidado para higieniza e secar as escamas. A partir daí comecei a montar e a vender as peças de bijuterias”, destaca.
São peças como brincos, colares, chaveiros e outros, todos com a escama de peixe.
E participa ainda de outros coletivos, como o projeto de Economia Solidária, do Conselho de Desenvolvimento Rural e Sustentável e outros.
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