'Precisamos ouvir a ciência e os profissionais'

O alerta é da nova secretária de Saúde de Itanhaém, a dentista Guacira Barbi, que pede a colaboração das pessoas

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29 MAR 2021Por Nayara Martins07h30
Guacira afirma que cenário ainda é muito complicado e entende todos os problemas, mas faz apelo que população escute a ciência.Guacira afirma que cenário ainda é muito complicado e entende todos os problemas, mas faz apelo que população escute a ciência.Foto: Nair Bueno/DL

A nova secretária de Saúde de Itanhaém, a dentista e gestora pública Guacira Nóbrega Barbi, de 55 anos, faz um apelo à população e pede a colaboração de todos nesta fase emergencial para conter o avanço da Covid-19 no município. Ela já atuou por 31 anos na rede municipal de saúde do município.

Há 12 dias à frente da Secretaria Municipal de Saúde, Guacira fala sobre as mudanças no atendimento da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e no Centro de Especialidades Médicas. Cita ainda o número de idosos vacinados e as ações de intensificação no combate ao mosquito da dengue.

Diário do Litoral - Quais são as principais medidas para o atendimento de Covid-19?

Guacira Barbi - Hoje o foco maior são os pacientes com mais gravidade. Na UPA havia a necessidade de montar um centro com leitos de suporte ventilatório pulmonar, onde o paciente fica no aguardo de uma vaga para a UTI. Decidimos transferir o pronto atendimento infantil, até a faixa etária de 11 anos, para o Centro de Especialidades Médicas (Cemi), que funciona 24 horas, com o atendimento aos casos de urgência infantil por dois pediatras e quatro leitos. A entrada do atendimento é feita pela lateral, para isolar dos demais pacientes. O Cemi continua atendendo os casos de maior risco, com agendamento, no horário das 7 às 17h.

DL - Como está o número de leitos disponíveis para Covid na UPA?

GB - Na UPA houve aumento de mais cinco leitos com suporte ventilatório, na sala de emergência. Além de já ter 20 leitos na enfermaria, divididos em duas alas de repouso, os casos de Covid e os outros. Mas todos os pacientes de Covid estão em isolamento. Já observamos uma queda nos casos de menor urgência na UPA, porém cresceram os casos mais graves que ficam na enfermaria. Desde o início do mês, em média, os atendimentos passaram de 500 para 350 pacientes ao dia.

DL - Na vacinação quantas pessoas já foram imunizadas contra a Covid-19?

GB - Uma das atitudes para neutralizar a ação do vírus é a vacinação. Os idosos estão sendo vacinados, conforme a faixa etária, desde que façam o agendamento prévio para não haver aglomeração. Até sexta-feira (26), já tinham sido aplicadas 12.592 doses, sendo 9.073 pessoas com a primeira dose e 3.519 com a segunda dose, entre idosos (8.117), indígenas (251) e profissionais de saúde (4.222). No sábado (27), houve o Dia D de Vacinação, aos idosos acima de 69 anos, no posto volante da Secretaria de Turismo e nas unidades de saúde Centro, Gaivota, Loty e Belas Artes. O agendamento da vacina pode ser feito pelo telefone da Saúde (13) 3421-4413 ou das Unidades de Saúde da Família.

DL - Como estão sendo feitos os testes rápidos?

GB - Temos alguns grupos prioritários para fazer o teste, como os profissionais na Educação, na Comunicação e na Assistência Social. Com a população o foco é a vacinação. Apenas as pessoas com sintomas podem fazer o teste do PCR. Caso dê positivo é preciso fazer o isolamento de 10 a 14 dias, conforme a reação de cada um.

DL - Há necessidade em abrir um hospital de campanha na cidade?

GB - Hoje não existe a necessidade em abrir um hospital de campanha. Vamos buscar ampliar os testes laboratoriais e o tratamento. O custo para a implantação é bastante alto e não teremos como adquirir respiradores, kits de intubação e nem profissionais suficientes para atender em novo local.

DL - Quais são as recomendações?

GB - Estamos próximos de um colapso na Saúde, com a falta de oxigênio e dos kits intubação. Fique em casa se puder e se não puder só saia se for necessário com todas as medidas de higiene sanitária. Temos o isolamento social, o uso da máscara, o álcool em gel, e não devemos organizar festas. Se conseguirmos não propagar o vírus, dói muito menos o uso da máscara do que um tubo na garganta. É preciso escutar a ciência e os profissionais de saúde. Tome a vacina, ela é segura e é a forma mais efetiva de se prevenir. O dia em que chegarmos a 80% da população vacinada vamos poder respirar.

DL - Quais as ações de prevenção à dengue nos bairros?

GB - Vamos retomar a sala de situação da dengue, com o objetivo de rever o Plano de Contingência para atualizar as notificações. E vamos intensificar as ações de nebulizações, as visitas às casas para identificar os criadouros do mosquito e, ainda, o bloqueio de quarteirões residenciais de pacientes positivos. As pessoas com sintomas de dengue podem procurar a unidade de saúde mais próxima de casa, passar por consulta médica e fazer o exame laboratorial. Os sintomas são parecidos com os da Covid. A ideia é rever as ações para agilizar os exames e os resultados. Este ano, já são 334 notificações (casos suspeitos) de dengue e 77 positivos. Já os casos de chinkungunya são 5 notificados e 1 positivo, e não há casos de zika.