Parada do Orgulho LGBTQIA+ acontece neste domingo em Itanhaém

Ponto alto da programação na 2ª Semana da Diversidade, acontece a partir do meio dia e segue até a noite, na Praia do Sonho

Diversas atividades foram realizadas na 2ª Semana da Diversidade, na praça Narciso de Andrade

Diversas atividades foram realizadas na 2ª Semana da Diversidade, na praça Narciso de Andrade | Nair Bueno/DL

Lutar para o combate à homofobia e por uma sociedade sem preconceito e mais igualitária. Esse é o objetivo da 2ª Semana da Diversidade realizada na última semana, na Praça Narciso de Andrade, em Itanhaém. O ponto alto da programação é a Parada do Orgulho LGBTQIA+ que acontece a partir do meio dia, neste domingo (10), na Praia do Sonho, no município.

A presidente do Centro Cultural de Matriz Africana Yle Ase Guere Oba Baayonni, Sílvia Trindade, de 54 anos, fala sobre a importância da 2ª Semana da Diversidade. A entidade, que já existe há 20 anos, realiza um trabalho social e a distribuição de cestas básicas. Na pandemia, foram distribuídas 40 toneladas de alimentos, em parceria com a secretaria de Justiça do Estado e outras entidades.  

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“A ação já acontece há cinco anos com a Parada do Orgulho LGBTQIA+ e discutimos uma pauta sobre o combate ao preconceito na Cidade”. Apesar de ter sido suspensa devido à pandemia, este ano foi realizada a Semana da Diversidade para divulgar ações voltadas a esse público. 

Durante a Feira Social, na última quarta-feira (6), no centro, foram oferecidos alguns serviços como cortes de cabelos e maquiagem, exposição de artesanato, assessoria jurídica, além de depoimentos de pessoas transexuais.   

Decreto

Sílvia Trindade destaca a importância do Decreto Municipal nº 4.335, assinado pelo prefeito Tiago Cervantes, no dia 15 de junho. Ela apresentou a minuta da lei ao prefeito.

“Foi um enorme avanço a assinatura desse decreto ao público LGBTQIA+. Há 15 anos, fui expulsa desta praça por ser transexual e estar vestida como matriz africana”, salienta.

O decreto permite que o transexual use o nome social e seja reconhecido pelo gênero, independentemente de a pessoa ter feito a mudança de forma jurídica. 

“Todos têm que ser respeitados nos estabelecimentos comerciais ou órgãos públicos pelo nome social e gênero”.

Sílvia explica que o transexual pode alterar o seu nome no cartório, com o registro do nome social escolhido. “Antigamente, o trâmite levava de dois e quatro anos. Hoje, leva cerca de um mês para a alteração do nome. Por meio da OAB, é possível regularizar a documentação de forma gratuita”, observa.   

“Estamos fazendo história em Itanhaém, por ser uma Cidade bastante conservadora. Foi uma grande conquista a todo o público LGBTQIA+ e também para o negro, pois o homossexual ou a pessoa trans negra é mais discriminada”. 

Violência

Sobre as ações de combate à homofobia no País, Sílvia afirma que houve um enorme retrocesso na gestão do governo federal, em especial nos últimos dois anos. 

“As pessoas são incentivadas a praticar o preconceito porque elas sabem que não serão punidas. No governo Bolsonaro, o índice de mulheres e homossexuais agredidos triplicou, também na cidade de Itanhaém”. 

Sílvia lembra que o Brasil é o país onde mais se mata homossexuais, trans e travestis. Cita um exemplo, na cidade de Fortaleza, no Ceará. 

“Lá são assassinadas de duas a três por dia e com a encomenda de quem vai morrer no dia seguinte. É um absurdo em pleno século 21 passarmos por tudo isso”, lamenta.

“Tivemos alguns avanços, mas ainda temos muito a conquistar, já que o preconceito, a homofobia e o caça a todos continuam, sejam eles homossexuais, trans ou travestis”, completa.       

Segundo Sílvia, no mercado de trabalho, o público LGBTQIA+ também enfrenta muito preconceito. 

Na cidade de São Paulo, há o projeto Transcidadania, com a proposta de fortalecer as atividades de colocação profissional, de reintegração social e o resgate da cidadania para pessoas trans, em situação de vulnerabilidade. 

“A ideia é implantar esse projeto em Itanhaém. Além de prosseguir com o trabalho de conscientização na Cidade”.

Cita ainda ser fundamental haver o respeito à Declaração Universal dos Direitos Humanos. 

“A lei na teoria é muito linda, mas na prática não é nada do que está previsto. Já fui vítima de preconceito em vários locais. Se depender de mim vou lutar para crescer na conquista dos direitos igualitários e por união”, conclui.