Marinha discute segurança de embarcações em Itanhaém

Este ano já aconteceram sete acidentes com barcos na Boca da Barra, um dos pontos mais perigosos para embarcações.

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13 JUL 2019Por Nayara Martins06h41
Na Boca da Barra, onde ocorre o encontro do rio com o mar, acontecem fortes correntes marítimas e grande impacto sobre o relevo.Foto: NAYARA MARTINS/DIÁRIO DO LITORAL

Acidentes com embarcações de pesca e turísticas têm causado preocupação aos pescadores, turistas e à sociedade civil de Itanhaém. Somente este ano, já ocorreram sete acidentes e duas mortes com embarcações de pesca e turísticas na Boca da Barra, no município. Um encontro com representantes da Marinha, da prefeitura e da sociedade aconteceu na última quinta-feira (11), na Colônia de Férias da Polícia Militar, para discutir medidas de prevenção e de segurança na navegação.

Na Boca da Barra, onde ocorre o encontro do rio Itanhaém com o mar, acontecem fortes correntes marítimas e um grande impacto sobre o relevo. Isso ocorre devido aos diferentes níveis de erosão provocados pela água do rio na areia.

O capitão de corneta Carlos Augusto Couto Júnior, chefe do Departamento de Segurança do Tráfego Aquaviário da Capitania dos Portos de São Paulo, explicou que o objetivo do encontro é trabalhar a conscientização para prevenir os acidentes com as embarcações.

Na opinião do Capitão, entre as medidas de segurança, teria que haver uma sinalização no trecho da Boca da Barra, por meio de um estudo no local. "O monitoramento da entrada e saída das embarcações é um trabalho que podemos fazer em parceria com a prefeitura de Itanhaém".

Apesar de a fiscalização ser atribuição da Marinha, ele afirma que a intenção é firmar um convênio com a prefeitura, para realizar um trabalho de sinalização aos proprietários de embarcações de pesca e de passeio.

O capitão lembrou ainda que, por meio do convênio, é possível capacitar a guarda municipal para que possa fiscalizar as motos aquáticas e lanchas de recreio nas rampas públicas. Outra proposta é ter um monitoramento por imagens para agilizar a fiscalização das embarcações.

A Capitania dos Portos vai agendar uma reunião com a prefeitura para estabelecer as normas do convênio, previsto no Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro, e que já acontece em outros municípios.

A Marinha conta ainda com o Centro de Hidrografia da Marinha, que emite avisos de mau tempo para o País e região.

Para o diretor municipal da secretaria de Desenvolvimento Econômico, Jorge Penha, é importante firmar um convênio entre a prefeitura e a Marinha para intensificar a fiscalização e prevenir os acidentes. "Hoje perdemos vidas por falta de sinalização e também por imprudência".

Representantes da Colônia dos Pescadores de Itanhaém não compareceram ao encontro.

ENROCAMENTO DA BARRA

A Associação dos Engenheiros e Arquitetos (AEA) de Itanhaém formou um grupo de trabalho para discutir as possíveis medidas de prevenção. Em janeiro deste ano, o grupo de trabalho esteve no Laboratório Hidráulico da Escola Politécnica da USP, em São Paulo, para conhecer um estudo realizado pelo professor livre docente Paolo Alfredini e equipe.

O resultado do estudo, feito entre 1991 a 2003, propõe como solução o enrocamento da barra. O estudo foi feito a pedido da prefeitura de Itanhaém e do DAEE à Escola Politécnica da USP.

Na opinião do presidente da Associação dos Engenheiros, o engenheiro civil Hilman Edwad Kruger, a solução para evitar os acidentes no local seria o enrocamento. "Porém, é uma obra muito cara e de grande investimento". Para ele, haveria um incentivo ao turismo náutico, além de maior segurança aos barcos pesqueiros.

Esse estudo prevê uma obra física que seria o enrocamento com molhes de pedra, formando um canal para que o desassoreamento fosse feito de forma natural. Os molhes avançariam cerca de 800 metros para dentro do mar. O estudo, segundo Kruger, tem que ser atualizado, e avaliar os pontos positivos e negativos da obra. O custo estimado, na época, foi de U$ 6 milhões.

MONITORAMENTO

Uma das prioridades para a prevenção de acidentes, segundo o engenheiro, é o monitoramento das embarcações, a ser feito por uma equipe especializada. A entidade já fez contato com o Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas da Universidade Santa Cecília, de Santos.

A engenheira civil Rosana Bifulco, ex-secretária municipal de Meio Ambiente, também é favorável sinalização, por meio de parceria entre os poderes municipal, estadual, federal e a iniciativa privada. Ela defende ainda um treinamento voltado aos proprietários de embarcações de passeio e de pesca.

Rosana explica que o canal do rio, na Boca da Barra, se movimenta diariamente e tem uma variação grande, conforme as condições da maré e do tempo. "Com o aumento do número de barcos, fica maior o risco de acidentes", salientou. Hoje o calado do rio Itanhaém é um dos mais baixos.

Já quanto ao projeto do enrocamento no canal, ela acredita que possa gerar um grande impacto ambiental na paisagem da Boca da Barra e nas praias dos Pescadores e dos Sonhos, com riscos de erosão. "Acredito que não dá pra ficar sem fazer nada, já ocorreram muitos acidentes com vítimas, devido a esse problema", concluiu.

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