Itanhaém 494 anos: Os segredos da segunda cidade mais antiga do Brasil

Muito além das praias, o município guarda a "alma" da colonização paulista em seus monumentos tombados e na influência de artistas que moldaram a arte moderna brasileira

Fundada por Martim Afonso de Souza e com seu povoamento iniciado no dia 22 de abril de 1532, Itanhaém é a segunda cidade mais antiga do Brasil / Nair Bueno / DL

Completando 494 anos, a cidade de Itanhaém coleciona diversos marcos por ser a segunda cidade mais antiga do Brasil.

Essas singularidades, no entanto, não são conhecidas por muitas pessoas, mas tornam a cidade ainda mais especial.

De monumentos tombados vindos do início da colonização brasileira, até culturas centenárias que são importantes até os dias de hoje, a cidade se destaca como a cidade histórica mais visitada no estado de São Paulo.

Segunda cidade mais antiga do Brasil

Fundada por Martim Afonso de Souza e com seu povoamento iniciado no dia 22 de abril de 1532, Itanhaém é a segunda cidade mais antiga do Brasil.

Por alguns meses, quase se tornou a cidade mais antiga do país. Entretanto, por alguns detalhes, acaba tendo seu reconhecimento como “vila” muitos anos depois, apenas em 1561.

Muitos historiadores, porém, contestam a data de aniversário da cidade, considerando o dia real como 8 de dezembro. Nesse dia, Itanhaém ganha classificação como vila, recebendo o nome oficial de Vila de Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém.

Durante esse tempo, a entrada do rio de Itanhaém sofria com o assoreamento, o que tornava a colonização menos atraente à Coroa Portuguesa. Além disso, a vila de São Vicente possuía seu porto próprio, facilitando a estabilização dos portugueses no país.

A herança cultural e o legado das artes

Por mais que Itanhaém não seja a primeira cidade do Brasil, sua influência é estruturante, ou seja, foi base para alguns conceitos culturais do país.

A cidade é berço de importantes pintores como Benedito Calixto e também foi o local onde Emídio de Sousa desenvolveu seu estilo primitivista. Esse estilo tão singular influenciou e impressionou figuras como Alfredo Volpi.

Esse legado estabelece a cidade como local de origem para a arte moderna brasileira. Além das artes visuais, preservações de eventos históricos reforçam sua resiliência cultural.

Itanhaém mantém viva por séculos a celebração da Festa do Divino Espírito, uma representação da trajetória da cidade, representando a “alma” da Vila de Nossa Senhora da Conceição.

No entanto, o município sofre com a falta do incentivo e reconhecimento de suas raízes, fazendo com que esses costumes se passem despercebidos entre novos moradores.

Além disso, grupos como a Prodivino e o Reisado de Itanhaém são os pilares que impedem o desaparecimento total dessas manifestações frente ao “esquecimento” institucional.

Arquitetura colonial tombada

O município, também, possui monumentos tombados pelo IPHAN que reforçam sua relevância histórica.

O Convento Nossa Senhora da Conceição, a Igreja Matriz de Sant’Anna e a Casa de Câmara e Cadeia da cidade são heranças daquele período, formando também parte do Centro Histórico da cidade.

A preservação desses marcos, tombados pelo IPHAN entre 1938 e 1941, é o que garante que a história de Itanhaém não se torne apenas uma nota de rodapé.

No livro escrito por Regina Helena Vieira Santos “Itanhaen ‘desvairada’”, os monumentos foram erguidos com o uso de técnicas tradicionais como a alvenaria de pedra e cal e a taipa de pilão.

Essas construções apresentam a sobriedade típica do barroco paulista, onde a funcionalidade e a robustez superam os ornamentos excessivos.

Com isso, proteger essa arquitetura é proteger a própria alma da cidade e legados culturais do país, impedindo que eles se percam no tempo.