Enfermeira exalta mulheres na saúde e avisa: a luta continua

Melissa Rodrigues atua como coordenadora geral de enfermagem e assistencial no Hospital Regional Jorge Rossmann, em Itanhaém

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08 MAR 2021Por Nayara Martins07h00
Melissa celebra avanços das mulheres na área da saúde, mas diz que caminho ainda é longoMelissa celebra avanços das mulheres na área da saúde, mas diz que caminho ainda é longoFoto: Nayara Martins/Diário do Litoral

Quem afirma é a enfermeira intensivista Melissa Rosa de Moraes Rodrigues, de 45 anos, que hoje atua como coordenadora geral de enfermagem e assistencial no Hospital Regional Jorge Rossmann, em Itanhaém. Ela fala sobre o seu trabalho, há 23 anos, na área da Saúde e destaca ainda as principais dificuldades e conquistas da mulher no mercado de trabalho.

O Hospital Regional Jorge Rossmann é referência em média e alta complexidade para a maternidade. Atende a cinco municípios da Baixada Santista e Vale do Ribeira: Mongaguá, Itanhaém, Peruíbe, Itariri e Pedro de Toledo. É referenciado pela CROSS e está sob gestão do Instituto Sócrates Guanaes desde julho de 2017.

DL - Qual a sua função e há quanto tempo atua no Hospital Regional?

Melissa Rosa - Sou enfermeira intensivista neonatal e, atualmente, faço a coordenação geral assistencial do Hospital Regional. Já atuo na unidade, do Instituto Sócrates Guanaes, há três anos.

DL - Como foi o início do trabalho na unidade?

MR - Comecei como enfermeira assistencial na UTI neonatal e, após dois meses, recebi o convite para a coordenação de enfermagem na UTI neonatal. No início deste ano, fui convidada a assumir a coordenação geral do hospital. É uma responsabilidade grande e entendo ser um reconhecimento do trabalho, além de ser gratificante. Na coordenação geral trabalho com vários profissionais nas áreas de enfermagem, fisioterapia, radiologia, serviço social, psicologia, fonoaudiologia, sendo que 80% são mulheres?

DL - Quais são as principais dificuldades na UTI neonatal?

MR - A maior dificuldade é lidar com as pessoas e fazer com que a equipe de profissionais entenda a função a ser exercida para que os resultados de qualidade aconteçam. Na UTI neonatal lidamos com diversos casos. Um deles são os bebês prematuros extremos e que precisam ficar por um longo período internados. Conforme o caso, somente após três meses de internação eles recebem alta hospitalar e ficam em acompanhamento médico. Há outros pacientes que precisam de cuidados intensivos. Lembro o caso de um paciente adulto que sofreu um afogamento, mas foi uma superação. No ano passado, ele fez questão de nos homenagear e nos visitar.

DL - Qual o número de leitos no Regional?

MR - Possui um total de 181 leitos. Na UTI neonatal são sete leitos e sete na semi-intensiva, além de mais três leitos de canguru. O canguru é quando o bebê prematuro está em fase de engordar, e que já mama direto no peito da mãe para ganhar peso. O restante é distribuído para a UTI adulto em geral e a Maternidade.

DL - Como estão os protocolos sanitários na unidade?

MR - Temos no hospital o setor do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), que é o responsável pelo controle de infecção na unidade. No início da pandemia, a comissão já informou todos os colaboradores sobre os protocolos sanitários a serem adotados. Há um controle rigoroso da infecção por Covid-19 com os colaboradores e os pacientes. Hoje não temos casos de infecção por Covid intra-hospitalar. Caso seja detectado em algum funcionário, ele será acompanhado e afastado temporariamente da função.

DL - Quais os outros locais onde já trabalhou?

MR - Já trabalhei em alguns hospitais na cidade de São Paulo, como o Santa Joana, o Albert Einstein e o Leonor Mendes de Barros. Assim, consegui adquirir uma boa experiência na área da enfermagem.

DL - Na sua opinião quais os maiores desafios na profissão?

MR - Acredito que é acompanhar o paciente até a sua recuperação e constatar que ele está bem. E ainda cuidar dos que não conseguem se recuperar até o seu último suspiro, mas poder fazer o melhor até a hora da morte.

DL - Por que escolheu a área de enfermagem?

MR - Desde criança já queria trabalhar na área da Saúde. Apesar de ter me formado em Pedagogia e ter dado aula em escola, logo percebi que não tinha nada a ver comigo. Comecei a fazer o curso básico de auxiliar de enfermagem e já fui trabalhar na área. Depois, fiz o curso técnico e a faculdade de Enfermagem. Cursei a especialização em UTI neonatal e pediátrica. Estou finalizando a especialização de Gestão em Serviços de Saúde.

DL - Quais os conselhos para quem quer atuar na área da Saúde?

MR - A pessoa tem que seguir o seu sonho, além de persistir para continuar a atuar na profissão. As dificuldades são enormes, pois não é nada fácil ver um paciente falecer ou adoecer. A maior recompensa é constatar que a maioria se recupera.

DL - Como avalia o papel da mulher no mercado de trabalho?

MR - Hoje somos a maioria na área da Saúde. Somos destemidas, valentes e estudiosas. Acredito que houve muitos avanços na Saúde e em outras áreas também, porém ainda não alcançamos o reconhecimento salarial, mas estamos a caminho. A mulher, hoje, está buscando o seu espaço no mercado de trabalho com o conhecimento, a experiência e o estudo.