Célio é exemplo de dedicação ao trabalho em Itanhaém

Com síndrome de down ele é uma inspiração aos demais funcionários, há quase 15 anos, na lanchonete do Auto Posto Pôr do Sol

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22 FEV 2021Por Nayara Martins09h10
Célio afirma já ter feito vários amigos no trabalho e tem apoio da irmãFoto: NAYARA MARTINS / DIÁRIO DO LITORAL

Célio Roberto de Souza, de 37 anos, que tem síndrome de down, é um exemplo de dedicação e compromisso na lanchonete em que trabalha, há quase 15 anos, no Auto Posto BR Pôr do Sol, no bairro Vila São Paulo, em Itanhaém. 

A gerente da lanchonete Caroline da Silva Reis afirma que ele é uma inspiração aos outros funcionários da empresa. “Ele é um exemplo de força e dedicação, atende bem ao público, conversa com todos, dança e brinca. Também não chega atrasado e é difícil faltar ao trabalho”, ressalta.

Caroline explica que, no início da pandemia, em março de 2020, ele ficou afastado por cerca de quatro meses, por precaução e para evitar o contato com o público. Mas já voltou a cumprir a sua carga horária normal, na escala de 12h por 36 horas e trabalha das 7 às 19 horas.  

“Gosto muito de trabalhar aqui e de conversar com as pessoas. No início, aprendi a fazer o atendimento, a limpeza na loja e também a servir o café e os salgados”, conta Celinho, como é mais conhecido. 

Ele afirma que foi indicado para trabalhar por sua professora Denise Rossmann Dominiske, em 2006. Passou por uma entrevista com o gerente do posto Denis França, que depois lhe forneceu um manual de atendimento ao público. Este foi o seu primeiro emprego, já que ele não havia trabalhado antes. 

Com o início da pandemia, foi bem difícil, segundo ele, pois teve que se afastar por quatro meses e, ao voltar, se adaptar às regras sanitárias, como usar a máscara, o álcool em gel e adotar todas as medidas de prevenção à Covid-19.  

Descontraído e com um sorriso no rosto, Celinho já fez diversos amigos no local de trabalho. “Tenho vários colegas aqui e gosto muito de conhecer novas pessoas”, conta.

Já nos dias de folga, ele sempre ajuda a irmã no serviço de casa e na cozinha. Nos finais de semana, Celinho costuma sair para passear com a professora Denise e o filho. “É muito bom sair e me divertir com eles. Apesar de ter saído da escola, mantive a amizade com a professora Denise”. 

Lembra ainda que já havia dado entrevistas a alguns jornais locais e, inclusive, para uma revista da Petrobras. Na ocasião ele também contou um pouco de sua experiência como balconista na lanchonete.  

ALUNO EXEMPLAR.
Celinho estudou em uma classe formada somente por alunos especiais, por cerca de dois anos, entre 2004 e 2006, na EM Leonor Mendes de Barros, da rede municipal. 
A professora de educação especial Denise Rossmann Dominiske conta que o ex-aluno Celinho se destacava como um aluno responsável e inteligente. 

“Ao chegar na escola ele já sabia ler e escrever e foi ótimo aluno. A sua família também foi sempre presente e o acompanhava nos estudos”, ressalta.

Hoje, Celinho frequenta a casa da professora, participa dos passeios e dos momentos de lazer. “Ele é muito responsável, bom amigo e até já faz parte da nossa família”, completa.

CULINÁRIA.
Outra atividade em que Celinho se destaca é a culinária. Isso porque ele participou de uma oficina de culinária na escola – a “Sala dos Sabores”. Ele aprendeu noções básicas de funcionamento de uma cantina. 

A educação oferecida na unidade escolar foi decisiva para viabilizar a sua inclusão no mercado de trabalho. “Tenho até um livro de receitas em casa, pois aprendi a fazer pães, bolos e massas, em 2005, na escola”, conta.

É o último filho de uma família de seis irmãos e, hoje, ele mora com sua irmã Eliana e o cunhado Carlos Alberto, no bairro Jardim Italmar, em Itanhaém. Os seus pais já faleceram. No dia a dia, a irmã Eliana o acompanha na ida ao trabalho e vai busca-lo na saída, às 19 horas. Ele almoça na própria lanchonete.

“No dia 17 de março é o meu aniversário e completo 38 anos. Já estou ansioso e contando os dias para comemorar”, finaliza Celinho.