Ateliê na casa do artesão Ricardo da Silva, em Itanhaém / Nair Bueno/Diário do Litoral
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O artesão Ricardo Henrique da Silva, de 58 anos, que faz trabalhos de entalhe em madeira há cerca de seis anos, teve uma de suas peças, a pomba da paz que simboliza a Festa do Divino Espírito Santo, selecionada para ser exposta e representar o município no Revelando SP este ano.
Autodidata, ele aprendeu a arte de esculpir a madeira sozinho, o que se tornou uma terapia após se aposentar. "Me aposentei há seis anos e como estava muito estressado, achei no trabalho do entalhe em madeira uma forma de acabar com o estresse. Aprendi sozinho a arte de entalhar", conta.
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O seu primeiro trabalho foi de um mantra tibetano "Om Mani Padme Hum", que significa a sabedoria e a transformação do corpo. "A partir daí comecei a fazer as peças, mas é preciso ter muita concentração, a gente acaba extravasando a energia negativa e se acalma".
Outro motivo foi porque muitos amigos pediam as peças e ele nem cobrava. "É gratificante fazer o trabalho por prazer e saber que a pessoas vão gostar e valorizar", destaca.
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O artesão explica que coloca o desenho e o papel carbono embaixo e vai riscando ele e fazendo o contorno na madeira. "Dependendo da peça e dos detalhes, cada uma tem um tempo para concluir. Mas é nos detalhes que está a beleza".
Ricardo utiliza pedaços de madeira que sobram e ninguém quer, adquiridos em construções ou em madeireiras. As mais indicadas são o ipê, o cambará e o cedrinho, encontradas na região.
Entre as peças já prontas estão a de uma coruja com asas e no centro uma caveira, a do brasão da Família Silva. Além de um relógio com uma moldura e uma caveira, e a de um crânio com asas e duas espadas.
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No total ele já confeccionou cerca de 40 peças, sobre temas variados. "Tenho bastante afinidade de trabalhar com caveiras, como em algumas peças de minha casa".
Já quanto às ferramentas de trabalho, o artesão explica que, no início, comprou algumas ferramentas usadas nacionais, via internet. Ganhou ainda um jogo de ferramentas alemão, de um casal de amigos, o que ajudou bastante a aprimorar o seu trabalho.
REVELANDO SP.
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Um de seus trabalhos, em fase de conclusão, é a pomba da paz que simboliza a Festa do Divino Espírito Santo, tradicional em Itanhaém. E que foi selecionado para participar do Revelando SP, uma ação de valorização da cultura tradicional paulista, para representar o município com mais outros três artesãos.
"Fui renovar minha carteirinha da Sutaco, na Casa do Artesão, e a coordenadora disse que tinha que apresentar uma peça para renovar o documento. Levei o material e fiz um outro mantra, o Om, em dois dias", conta.
E foi convidado a realizar oficinas de entalhe em madeira na Casa do Artesão, mas com a pandemia teve que aguardar.
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A exposição dos trabalhos no Revelando SP, este ano, será transmitido por meio da plataforma online # Cultura em Casa, mas a data ainda não foi definida.
PLANOS.
O artesão vai começar a divulgar os seus trabalhos por meio de um site, ainda em construção, a partir de 2021.
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Outro projeto é de começar oficinas de entalhe em madeira, de início, nas aldeias indígenas Tangará e Porungawa Djú, na divisa entre Itanhaém e Peruíbe, para que os índios possam aprender essa arte. "As famílias indígenas poderão fazer e comercializar as peças em madeira, o que ajuda a gerar renda", frisa.
Já fez um cachimbo de madeira com entalhe de um cocar e, em visita à aldeia Porungawa, em outubro, foi doado ao pajé Guaíra, o líder espiritual da aldeia.
Ricardo confecciona peças por encomendas. Os valores variam de acordo com o tamanho e o modelo. Interessados em adquirir os objetos de entalhe em madeira, podem entrar em contato com ele, no telefone (13)99743-2258.
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