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ITANHAÉM

Artesã faz e vende sapatinhos de crochê em Itanhaém

Trabalho é feito de forma artesanal e delicada por Sílvia. As peças são expostas na calçada da avenida Rui Barbosa, no centro

Nayara Martins

Publicado em 17/04/2023 às 07:30

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Trabalho é exposto diariamente na Avenida Rui Barbosa / Nair Bueno/ DL

Ganhar uma renda e se dedicar à arte de fazer sapatinhos de crochê. Essa é a forma que Sílvia Gonçalves Nogueira de França, de 53 anos, encontrou para se manter e fazer aquilo que gosta, de forma artesanal, há cerca de onze anos, na avenida Rui Barbosa, região central de Itanhaém.

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Quem passa pela avenida Rui Barbosa não pode deixar de apreciar os sapatinhos coloridos de crochê, que ficam expostos na calçada. Ela expõe os trabalhos a partir das 10h30 até às 17 horas, todos os dias.  

“Aprendi a fazer os pontinhos básicos com a minha avó, aos 7 anos. Minhas tias avós eram todas bordadeiras e minha mãe também aprendeu, já que ela estudou em colégio de freiras”, conta.

Assim que se casou, Sílvia parou de trabalhar em um banco porque ficou grávida, mas começou a aprender a fazer os sapatinhos de crochê, em 1990. 

“No ano de 1994, aprendi a bordar com a minha mãe quando já morava em Santos. Levei meus trabalhos para a loja da dona Adelaide Lascane, no centro, e ela comprou. Aprendi com ela a fazer todas as peças de enxoval bordados. Tenho ainda o primeiro babador que bordei”, salienta.       

Sílvia passou a fazer e a vender para a loja Lascane, em Santos, os enxovais de tricô e bordados durante vários anos. As peças eram lençóis de carrinho, de berço, capas de carrinho e enxovais completos.

A artesã explica que também já teve loja, ateliê, além de participar de feiras e exposições em Itanhaém.  

“Hoje gosto é de vender na rua, pois posso ter uma interação com as pessoas. Trabalho com encomendas apenas para uma loja infantil, desde 1997, em Itanhaém, por ter amizade com a dona do comércio”.           

Diz ainda “às vezes, passa alguém com uma criança grande e diz “o primeiro sapatinho que você usou foi ela quem fez”. Isso me enriquece e é o que me faz sorrir”, destaca. 

Ela sempre gostou de escrever e chegou a entrar na faculdade de Jornalismo, mas nunca pensou que fosse ter o dom pra fazer crochê. Além de ter sido bancária, ela trabalhou ainda como funcionária pública no Samu.

Modelos 
Sílvia faz os sapatinhos de crochê de lã e de linha, em cores e modelos variados. Os que vendem mais, segundo ela, são os de lã durante o ano todo. Os tamanhos são para bebês até o terceiro mês.       

São modelos básicos, botinhas, sandálias, imitação do tênis All Star e outros. Em média, ela leva até 20 minutos o pé para fazer o básico. Os de linha podem levar até 3 horas e, conforme o modelo, até 6 horas. Os valores também variam entre R$ 10,00 a R$ 50,00.

“Aprendi a fazer sapatinhos em forma de gnomos, de tricô, com a dona Zelly Paniquar, além dos acabamentos em seus xales durante anos. Ela sempre falava que somente eu podia fazer esse acabamento de crochê nos xales”, lembra. 

Ela faz ainda “amigurumis” – uma técnica japonesa, feita em crochê. São bonequinhas, polvos, em forma circular. Já fez peças em biscuit, pintura em madeira e restauro de móveis antigos. 

“Tenho mãos inquietas. Hoje trabalho apenas com os sapatinhos e os amigorumis. Minha única fonte de renda são as vendas das peças em crochê”, frisa. 

Boca a boca

A maior divulgação do seu trabalho é o boca a boca entre os clientes. “Tenho clientes fiéis, algumas já são a segunda geração da família, com os sapatinhos. Gosto de fazer isso, vivo com muito pouco, pois sou vegana. Compro agulhas japonesas que me permitem trabalhar com menos dor”, explica. 

Outra paixão de Sílvia são os animais. Hoje, ela cuida de 21, sendo 19 gatos e 2 cães, todos abandonados nas ruas. “Antes da pandemia, alimentava 53 animais, mas neste período, o movimento caiu bastante e passei uns meses em São Paulo”.     

As peças também estão no Instagram “@Sílvia e os gatos”. Ela se divide entre as cidades de Itanhaém e São Paulo. Na capital, ela faz a exposição dos trabalhos na rua Galvão Bueno, no bairro da Liberdade.

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