50 anos de história: Banca do Jaime II é a mais antiga em Itanhaém

Banca de jornal da família ainda resiste ao tempo, mas teve que se reinventar e vender outros produtos

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23 NOV 2020Por Nayara Martins11h30
Além de jornais e revistas, público pode encontrar outras mercadorias como sorvetes, refrigerantes, bolas, pilhas, recargas de celulares e, até mesmo, máscarasFoto: NAIR BUENO/DIÁRIO DO LITORAL

Há quase 50 anos, a Banca do Jaime II ainda resiste ao tempo, apesar de ter que se reinventar e, hoje, vender outros produtos. Trata-se de um comércio tradicional de família e que passou de pai para filho. Atualmente é a banca de jornal mais antiga em funcionamento no município de Itanhaém.

O jornaleiro e proprietário Gilson Pereira dos Santos, de 60 anos, conta como começou esse negócio de família. 

“Na verdade eu comecei a trabalhar, com 12 anos, para o senhor Isaías, dono da única banca que havia na cidade. Ele precisava de um funcionário para atuar por meio período. Após um certo tempo, meu pai já aposentado também começou a trabalhar na banca”.

No ano de 1973, segundo Gilson, eles tinham que ir pegar o jornal na antiga Estação Ferroviária, pois os jornais vinham de trem de Santos e, no final do dia, eles iam entregar o jornal que sobrava para serem levados de volta para Santos no trem.

Já no início da década de 1980, o seu pai Jaime Lino dos Santos, já falecido, adquiriu a sua própria banca de jornal, no centro, onde trabalhou com os dois filhos Gilson e Manoel pra manter a família. 

Gilson guarda uma foto antiga da banca de seu pai, em preto e branco, que funcionava na Praça Narciso de Andrade, no centro da cidade, na década de 80.   

“No ano de 1984 decidi montar a minha banca de jornal, neste ponto da avenida Rui Barbosa, no centro, onde estou até hoje”. 

Apesar das dificuldades, ele conseguiu sustentar a família com o negócio. “Sempre foi difícil, mas agora com a pandemia, a situação ficou ainda mais complicada. Mas, seguimos trabalhando”, completa.

MUDANÇAS.
Entre as principais mudanças que ocorreram no ramo, Gilson cita a internet, já que muitos leitores passaram a ler jornais e revistas de forma virtual. Além disso, a distribuidora de revistas que, antes funcionava em Itanhaém, não existe mais. Atualmente, a distribuidora está localizada em Peruíbe. 

“Algumas revistas também já não chegam mais no município, além de publicações voltadas aos adolescentes que deixaram de ser publicadas. Outros jornais não são mais distribuídos, como um jornal diário de Santos que, desde março de 2019, não vem para o litoral sul”. E o jornal Lance que também parou de ser distribuído na cidade, neste ano.

Com essas mudanças, ele afirma que o jeito foi se reinventar e vender outros produtos na banca de jornal para conseguir se manter. 

‘Tivemos que nos adaptar e vendemos também sorvetes, refrigerantes, bolas, pilhas, óculos, cigarros, recarga para celulares e, até mesmo, máscaras”. O que o público mais procura, segundo o jornaleiro, é a recarga de celulares, além dos jornais impressos que ainda vendem bem, apesar da crise.

FIM DO JORNAL.
Gilson acredita que, apesar dos avanços da internet, o jornal impresso nunca vai acabar. “Um exemplo é que nos Estados Unidos ainda existem muitos leitores de jornal. Várias pessoas vêm procurar na banca porque gostam de ler o jornal impresso”, destaca.

Lembra ainda que depende das distribuidoras conseguirem manter o serviço de entrega dos jornais e revistas nas bancas. 

“A gente acaba tendo amor por aquilo que faz há tantos anos na banca de jornal. Me esforço para manter a tradição da família, mesmo com as dificuldades”, completa. 

Nos anos 80, a família chegou a possuir três bancas de jornal – duas na região central e uma em frente ao antigo Mercado Municipal, no bairro Guaraú, em Itanhaém. 
Gilson Pereira dos Santos é casado há 33 anos e tem três filhos. Já o seu pai, Jaime Lino dos Santos e a sua mãe tiveram uma grande família e criaram nove filhos. 

A banca de jornal Jaime II funciona todos os dias, no horário das 7 às 21 horas, inclusive aos finais de semana e nos feriados. Está localizada na avenida Rui Barbosa, 761, no centro de Itanhaém.