Ponte pode inviabilizar aeroporto em Guarujá

Alerta é do diretor da Associação dos Engenheiros e Arquitetos, Eduardo Lustosa, em Painel na Unaerp.

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09 JUN 2019Por Carlos Ratton06h12
Lustosa fez amplo estudo sobre as opções de travessia do canal.Foto: NAIR BUENO/DIÁRIO DO LITORAL

O projeto da ponte sobre o canal do Estuário, que vai ligar as duas margens do Porto de Santos, irá não só supostamente obstruir o calado do canal como invadir o espaço aéreo e inviabilizar a implantação do Aeroporto Civil de Guarujá.

O alerta foi dado, com exclusividade para o Diário, durante o I Painel de Exposição de Impactos do Aeroporto, realizado no último dia 4, no auditório do Campus Guarujá da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), pelo diretor da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos, Eduardo Lustosa.

Ele já avisou o comandante da Base Aérea de Santos, tenente-coronel aviador Francisco José Formággio. A Reportagem ouviu parte da conversa e complementou as informações na última quinta-feira (6).

"O local escolhido para implantar a ponte está dentro do cone de segurança à navegação e manobras do futuro aeroporto de Guarujá. O coronel Formággio me disse que não foi consultado e que não sabia que o mastro da futura ponte estaiada vai atingir 168 metros de altura. Então, além da atrapalhar a navegação marítima do maior porto da América Latina, a ponte vai atrapalhar a aérea", disse detalhadamente Lustosa, que defende a implantação de túnel submerso.

O diretor revelou ainda outros efeitos negativos que a ponte - que está sendo reavaliada pelos governos Estadual e Federal, pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e pela Ecovias (responsável pelo estudo e execução da obra orçada em R$ 2,9 bilhões) - pode causar. Disse que não vai atender às demanda urbanísticas das travessias das balsas; ao fluxo de pedestres e ciclistas; terá custo superior ao túnel; somente duas pistas de rolagem contra três pistas do túnel e maior impacto ambiental e visual.

Além de tudo isso, "não apresenta melhor condição logística nem geográfica; as rampas de acesso trarão maior riscos ao trânsito de caminhões; uma proximidade insegura da Ilha do Barnabé e área de tancagem, que também será inibida", completa Lustosa.

Segundo o diretor, que fez um amplo estudo sobre a viabilidade de uma travessia seca entre as margens do porto, a ponte se tornará um enorme obstáculo operacional e econômico ao País.

"A Brasil Terminais Portuários (BTP) já trouxe equipamentos que tiveram que esperar a maré baixa para passar pela linha de transmissão da Usina de Itatinga. Nenhuma nação, hoje, opta por obstáculos aéreos. A proposta da Ecovias é uma ponte com 85 metros de vão de passagem, mas há plataformas de petróleo com 110 metros. Temos um cenário de desenvolvimento do pré-sal, nos próximos 10 anos, que será prejudicado", adianta Lustosa.

O diretor da Associação lembra que a Baixada já possui vários obstáculos de navegação que vêm impedindo seu desenvolvimento, como as pontes da Rodovia Anchieta, do Mar Pequeno, dos Barreiros, a Pênsil (que não pôde ser alteada) e outras. "Ao invés de descermos 20 metros debaixo d´água, por que vamos subir 85 metros e ainda ocupar sete quilômetros de uma margem a outra para minimizar os declives?", questiona, ressaltando que o túnel, mesmo tecnologicamente mais complexo, é a opção mais inteligente.

"Na verdade, a Ecovias deveria fazer o túnel e ainda, para justificar a renovação de seu contrato, altear as pontes que estão engessando a região. Assim, presta um grande serviço ao Porto", finaliza Lustosa.

A Prefeitura de Guarujá deve revelar, esta semana, se adere ao plano idealizado pelo Governo do Estado para desestatização de aeroportos paulistas ou reafirma seu projeto municipal e lança a própria licitação do aeroporto.

Até setembro, uma empresa especializada entregará estudo para propor a melhor forma de operação do aeródromo, ainda sem prazo para decolar.

A Prefeitura já possui edital e estudo de viabilidade. Iniciada a licitação, ainda haverá 100 dias para concluir o certame e assinar com o concessionário para o início das obras.

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