Após festas e baderna durante pandemia, prédio despeja quatro: ‘Pulavam na piscina’

Moradores ignoraram isolamento social e realizavam festas com som alto e gritaria durante o período de quarentena

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27 MAI 2020Por LG Rodrigues12h16
Moradores chegaram a pular portão trancado para mergulhar na piscina mesmo após condomínio ter proibidio seu uso devido à pandemia do novo coronavírusFoto: Reprodução

A administração de um condomínio localizado em Guarujá precisou adotar medidas extremas e decidiu despejar os moradores de quatro apartamentos. A atitude foi tomada após os mesmos terem promovido festas com dezenas de pessoas e som alto mesmo durante o período de isolamento social imposto pelo Governo do Estado devido ao rápido avanço do número de casos do novo coronavírus.

O caso aconteceu no condomínio Golden Sun, localizado no bairro da Enseada, em Guarujá. Segundo o sindico do prédio, todos os apartamentos do empreendimento são alugados e a situação começou a se agravar em março, quando a pandemia do coronavírus já era de amplo conhecimento público e os governos já adotavam medidas de isolamento social e o fechamento quase que completo do comércio local.

"Um deles (moradores) já tinha histórico de dar festas, fazer algumas badernas, com muita gente na piscina, mas era algo pontual, nada fora do mundo. Só que desde o começo da pandemia se juntaram quatro apartamentos e as festas começavam de manhã e iam noite adentro”, afirma.

A rotina do prédio acabou se tornando desesperadora da noite para o dia e as constantes festas começaram a incomodar os outros moradores rapidamente.

“Lá no prédio tem três professores e alguns deles dão aula online desde 7h até 18h. Tem crianças no prédio estudando, também em aulas online, e esse pessoal não perdoava. Às vezes a festa começava 16h e ia até de madrugada”, explica o síndico.

Inicialmente, a administração do Golden Sun e outros moradores tentaram dialogar com os responsáveis pelos quatro apartamentos em questão, mas afirmam que a situação não mudou.

“Primeiro passo quando algum morador faz uma reclamação na portaria ou comigo, a gente pede para o funcionário responsável na hora para ‘interfonar’. Quando a pessoa não atende, ele vai até o apartamento explicar que o som tá incomodando, pede se é possível abaixar. Foi tentado de tudo, mandamos até notificação. Essa situação já iniciou em março, tem mais de dois meses que tudo começou”.

Incomodados, os outros moradores do prédio ameaçaram entregar seus apartamentos para a construtora caso a situação não fosse revista o mais rapidamente possível. Cientes de que a única alternativa restante seria acionar a Justiça, o processo de despejo foi iniciado.

“Era uma barulheira sem noção, às vezes dez pessoas numa varanda pequena ouvindo música alta, cantando junto e gritando. Era uma baderna porque o pessoal bebia. Teve um dia que um dos moradores chegou a cuspir no elevador e levou multa e três tomaram multa por entrar na piscina. Eu tive que esvaziar a água da piscina porque quatro deles gritavam na varanda ‘quero ver quem vai nos impedir’, e eles iam lá e pulava na piscina”, afirma.

Apesar de nem todos os moradores terem recebido notificações, o síndico do Golden Sun afirma que todos já começaram a buscar outros imóveis e estão se preparando para se mudar em breve. A primeira ordem de despejo está marcada para a primeira semana de junho e ele diz que não espera ter algum tipo de problema.

“Depois que entramos com o processo deu uma acalmada. Eles não acreditam no vírus, mas creio que eles deverão acatar a ordem e se mudar em breve. Tenho informação que ele já está até com corretor procurando outro apartamento. Apenas um deles irá para audiência porque o juiz entendeu que ele não descumpriu as regras porque tecnicamente o apartamento dele nunca promoveu festas”.

Apesar de o poder judiciário ter evitado aprovar despejos devido à quarentena os casos destes moradores foram considerados como um risco a saúde e à tranquilidade dos demais moradores.