Verbas federais para SP crescem só 9% com Haddad na prefeitura

A estimativa de Haddad é de que o bolo aumente nas próximas semanas, quando parte das verbas da segunda fase do PAC2 deve ser depositada nas contas municipais

Com Fernando Haddad (PT) no comando da Prefeitura de São Paulo, a capital recebeu até agora R$ 51 milhões a mais em recursos federais na comparação com a gestão Gilberto Kassab (PSD). Os dados referem-se aos cinco primeiros meses deste ano em comparação ao mesmo período de 2012. Apesar da alta de 9%, o valor total é considerado baixo. Até o momento, o governo de Dilma Rousseff (PT) repassou R$ 566,9 milhões dos R$ 3,9 bilhões previstos no orçamento.

Os números revelam que o Município tem dificuldades não apenas para conseguir convencer a União a fazer desonerações nos tributos que incidem sobre a tarifa do transporte público, mas também em transferir as verbas relacionadas aos investimentos do dia a dia. Depois da eleição, a equipe de Haddad chegou a calcular que a capital teria até R$ 1 bilhão a mais já neste ano em verbas federais.

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A estimativa de Haddad é de que o bolo aumente nas próximas semanas, quando parte das verbas da segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC2) deve ser depositada nas contas municipais.

“Nós vamos trazer o PAC para São Paulo. Estamos na reta final do primeiro anúncio de parcerias. Já entregamos todos os projetos, estão em análise técnica. Teremos muito brevemente o anúncio do primeiro pacote em São Paulo”, afirmou o prefeito.

Inicialmente, os recursos devem ser destinados a três áreas: Saúde, Educação e Saneamento Básico. Eles serão empregados na instalação de unidades de saúde, creches e obras necessárias para coleta e tratamento de água e esgoto ou limpeza de córregos, com o objetivo de evitar as tradicionais enchentes.

As áreas priorizadas pela União são as que já receberam mais verba de janeiro a maio deste ano. Dos R$ 566,9 milhões depositados até agora, R$ 551 milhões foram destinados a custeio de programas educacionais e de saúde. A comparação com a arrecadação do mesmo período do ano passado mostra alta nesses setores, mas queda em outros, como Habitação, Trabalho e Cultura

Segundo a secretária municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão, Leda Paulani, a capital almeja receber R$ 10 bilhões do PAC até 2016. Os recursos são considerados fundamentais para cumprir as promessas de campanha relacionadas ao transporte público, como construção de novos terminais, corredores e faixas exclusivas.

A baixa arrecadação com o governo federal é reflexo da demora na aprovação de projetos ou mesmo da ausência de todos os pré-requisitos listados pela União para a liberação dos recursos – o problema da “papelada” também foi enfrentado pela administração passada.

O impasse, muitas vezes, é burocrático. Na área da Saúde, por exemplo, a burocracia pode se traduzir no número de salas de determinado posto médico. Se a União exige três consultórios e a Prefeitura dispõe de dois, o dinheiro não vem.

Congelada

Na Saúde, a expectativa é de angariar R$ 190 milhões para a instalação da chamada Rede Hora Certa – novos equipamentos públicos que devem oferecer desde a realização de exames e consultas até pequenas cirurgias. O balanço dos quatro primeiros meses da Secretaria Municipal da Saúde mostra que a verba está congelada. Os repasses feitos pela União para a pasta estão relacionados apenas a custeio de serviços médicos.

Na Educação, a gestão Haddad tem se empenhado em encontrar terrenos que possam servir de sede para as prometidas 172 creches, mas a lista ainda está incompleta. É por isso que os R$ 200 milhões de investimentos previstos da União ainda não chegaram. Para o depósito dos recursos, os endereços e os projetos executivos precisam estar em dia.

Já a área de Transportes parece caminhar mais rapidamente. A Prefeitura já lançou processo de licitação para a construção de novos corredores de ônibus. Com os projetos prontos e em andamento, a busca por verba federal tende a correr mais rápido. “O que viabiliza os corredores é o PAC. Teremos o PAC em São Paulo. Foi uma bandeira da minha campanha”, diz Haddad.