Ex-presidente da Bolívia pede que Brasil acelere processo de asilo de senador

Jorge Fernando Tuto Quiroga Ramírez lembra que , no último dia 28, o senador boliviano completou um ano abrigado na embaixada em La Paz

No momento em que a defesa do senador boliviano Roger Pinto Molina, de 53 anos, abrigado há um ano na Embaixada do Brasil em La Paz, aguarda o julgamento de habeas corpus, o ex-presidente da Bolívia Jorge Fernando Tuto Quiroga Ramírez (2001-2002), que se define como “amigo” do parlamentar, enviou carta à presidenta Dilma Rousseff apelando para que ela interfira no processo. Na carta, Tuto destaca a relevância internacional de Dilma e pede que tome providências sobre o caso.

“Presidenta, a senhora é uma das cinco personalidades políticas mais importantes do Planeta, por isso sabemos que a situação do senador Pinto é importante para a democracia boliviana, mas um assunto que merece sua atenção pessoal”, pediu o ex-presidente na carta à Dilma. “Pedimos somente à senhora presidenta que conclua a tarefa e restitua as garantias plenas e totais do senador Pinto, efetivando o asilo rapidamente para que o Brasil possa demonstrar ao mundo inteiro que segue como paradigma de direitos humanos.”

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Tuto lembra que, no último dia 28, Pinto Molina completou um ano abrigado na embaixada em La Paz. Na carta, o ex-presidente diz que um ano é muito tempo. “Um ano asilado sem salvo-conduto é tempo demais porque é um ano ilhado sem vida, sem direitos e afastado”, ressalta.

Ele pediu asilo ao Brasil alegando ser perseguido pelo governo do presidente Evo Morales. As autoridades bolivianas negam a perseguição e dizem que o senador responde a uma série de ações judiciais que levantam suspeitas sobre sua atuação no campo político. Na carta, Tuto lembra a trajetória política de Dilma, perseguida pelo regime militar, para mencionar o caso.

O ex-presidente diz que é preciso considerar as suspeitas de parlamentares brasileiros que associam o caso de Pinto Molina com a prisão de 12 torcedores do Corinthians, acusado de envolvimento na morte do estudante Kevin Espada, de 14 anos, em fevereiro. “Usar o senador Pinto como moeda de troca para o caso dos torcedores de uma equipe de futebol demonstra um abuso contra a democracia e os convênios internacionais, cuja solução é bilateral”, ressalta.

O Supremo Tribunal Federal deve julgar nos próximos dias 12 ou 19 de junho o habeas corpus impetrado pela defesa do senador boliviano. Ontem (4), segundo o advogado Fernando Tibúrcio Peña, foram enviadas as informações da Presidência da República do Brasil sobre o caso para a Corte Suprema. A mulher e alguns parentes do senador já deixaram a Bolívia rumo ao Brasil e vivem no Acre. Uma filha do parlamentar ainda está em La Paz.