Venda de Neymar pode ter envolvido mais de R$ 300 milhões

O Diário do Litoral teve acesso a informação de que um forte grupo turco de investimentos pode ter custeado a compra do jogador. A parceria pode ter sido fundamental para evitar que o atacante fosse jogar no Bayern de Munique

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20 JAN 201422h33

Colaborou: Pedro Henrique Fonseca

A nebulosa transferência de Neymar do Santos para o Barcelona voltou a ser destaque no mundo em função da divergência e falta de transparência na divulgação dos valores envolvidos.

A edição de hoje (19) do jornal El Mundo, da Espanha, divulgou que a Justiça local está investigando o caso e que a compra de Neymar teria custado 96 milhões de euros (aproximadamente R$ 330 milhões), valor superior à compra de Cristiano Ronaldo pelo Real Madrid em 2009, que custou 94 milhões de euros.

Oficialmente, o Barcelona diz que gastou 57 milhões de euros, o que levou o Santos a pedir esclarecimentos na época da transação, já que o clube tem direito a receber 55% do valor da negociação e ficou apenas com 17,1 milhões, enquanto o grupo DIS, ex-dono de 40% dos direitos de Neymar, ganhou cerca de 7 milhões de euros.

Considerando a hipótese da venda de Neymar ter custado 96 milhões de euros, o Santos teria direito a receber 52,25 milhões de euros, 35,15 milhões de euros a mais do que lhe foi repassado. O grupo DIS receberia aproximadamente 35 milhões de euros. Neymar pai era dono dos 10% restantes.

"Nada a dizer sobre isso. O Santos recebeu o que revelou, está publicado no conselho e na auditoria. Fazemos tudo com transparência. O Santos notificou na época o Barcelona para que se falasse para quem eles deram 57 milhões. Ele respondeu que para o Santos só recebeu aquilo mesmo, o contrato de 17,1 milhões e que os outros eram para outros protagonistas, que ele não identifica, respondeu isso para nós e para Fifa. Eu sei que a oposição do Sandro Rosell (presidente do Barcelona) fez uma denúncia na Justiça e que o Rossel disse que deu 42 milhões de euros para o pai do Neymar", declarou hoje o presidente santista Odílio Rodrigues, em frente à sede da Federação Paulista de Futebol. "O Santos gostaria de receber essa diferença Se ele pagou mais, o Santos tem 55% disso", salientou Odílio, mostrando que o clube praiano deve buscar seus direitos caso as investigações da Justiça espanhola se confirmem.

Pressionado, Sandro Rosell concedeu uma entrevista coletiva hoje, em Barcelona, e reiterou que o craque brasileiro custou 57 milhões de euros. Rosell disse, ainda, que pretende solicitar ao juiz que testemunhe no caso. O que pode ser compreendido como uma atitude estratégica para não ser solicitado pela Justiça como acusado.

A venda de Neymar pode ter envolvido mais de R$ 300 milhões (Foto: Divulgação/Santos FC)

Buraco mais embaixo

O imbróglio na negociação que envolve Neymar pode ganhar cenário mais obscuro com o andar das investigações. Outros pontos estão sendo apurados e o dinheiro da compra do brasileiro pode não ter saído do clube espanhol.

O Diário do Litoral teve acesso a informação de que um forte grupo turco de investimentos pode ter custeado a compra de Neymar. Este grupo seria inclusive dono da Turkish Airlines. E esta parceria pode ter sido fundamental para evitar que Neymar fosse jogar no Bayern de Munique, que é dirigido pelo técnico Pepe Guardiola, grande fã de Neymar. O clube alemão teria apresentado uma proposta de 100 milhões de euros ao Santos. Oferta maior do que as de Real Madrid e Barcelona, que na época também disputavam o jogador.

Neymar pai fatura

A reportagem do jornal El Mundo também teve acesso a documentos que mostram o grande faturamento do pai de Neymar na negociação do filho com uma comissão de 8,5 milhões de euros. 4 milhões para uma suposta captação de contratos publicitários para o Barcelona, 2,5 milhões para que Neymar destine a fins sociais e 2 milhões para que Neymar pai busque promessas do Santos para o Barça.

No entanto, Neymar pai não tem nenhuma obrigação contratual de ser bem sucedido na tarefa imposta pelo Barcelona.