Valdivia sai do banco para garantir festa e Palmeiras nas semifinais

O chileno roubou a bola na defesa, acionou o ataque, recebeu na meia-lua, enganou a marcação ao fingir que chutaria e abriu para Lucas fazer a assistência para Leandro Pereira

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12 ABR 201517h44

O Palmeiras fez 20 contratações na temporada, mas precisou de dez minutos do jogador mais caro do elenco, que já estava no clube, para passar por sua primeira decisão no ano. O torcedor acordou cedo para garantir o melhor público de 2015 no Palestra Itália, e só conseguiu festejar quando Valdivia saiu do banco para criar a jogada do gol da vitória por 1 a 0 sobre o Botafogo de Ribeirão Preto, colocando o time nas semifinais do Campeonato Paulista.

O chileno entrou em campo aos 16 do segundo tempo. Aos 26, roubou a bola na defesa, acionou o ataque, recebeu na meia-lua, enganou a marcação ao fingir que chutaria e abriu para Lucas fazer a assistência para Leandro Pereira, autor do gol da classificação. Mas que viu a torcida cantar o nome do camisa 10, frequente desfalque e que negocia a renovação do contrato que acaba em agosto.

Antes, o que se viu foi um time com presença de ataque, mas temeroso a chutar. No primeiro tempo, Dudu acertou a trave com o gol vazio, e o árbitro chamou atenção negativamente: anulou dois gols do Botafogo, um do Palmeiras e recebeu contestações também por faltas que Dudu julga ter sofrido dentro da área no segundo tempo. Ao final, porém, festa do Verdão, que espera pela definição de seu adversário na próxima fase, quando certamente será visitante por conta de sua campanha.

Leandro Pereira foi o autor do gol, mas viu a torcida palmeirense gritar o nome de Valdívia (Foto: Leandro Martins/Futura Press/Estadão Conteúdo)

O jogo

Oswaldo de Oliveira abriu mão da movimentação de Cristaldo para ter uma referência com estatura no ataque, apostando em Leandro Pereira. Com Cleiton Xavier e Valdivia no banco, a estratégia era no toque de bola de Rafael Marques, Robinho e Dudu, que, teoricamente, teriam mais espaço com o centroavante segurando a zaga na área.

A tensão dominou os primeiros minutos, fazendo até Zé Roberto, aos 40 anos, se desentender com um adversário. Só Robinho soube ter tranquilidade para tentar repetir o seu golaço sobre Rogério Ceni que valeu placa, encobrindo o goleiro Renan Rocha ao quatro minutos, mas por cima do gol.

Apesar do lance, estava difícil se aproximar da área do Botafogo, e o Verdão resolveu repetir a estratégia que definiu rapidamente a vitória sobre o Mogi Mirim, na semana passada. O time inteiro, com a óbvia exceção de Fernando Prass, ficou no terço central do gramado, esperando um contra-ataque para usar a velocidade. A dinâmica de Arouca para transitar entre todos os setores e a movimentação de Gabriel para marcar facilitava a ideia.

A tática, entretanto, atraiu o Botafogo e quase foi fatal. Aos cinco minutos, após cobrança de escanteio, Bruno Costa empurrou a bola para as redes vazias. Mas, para sorte palmeirense, o árbitro Marcelo Rogério não concordou com o assistente, que validou o gol, e marcou falta sobre Fernando Prass antes da finalização.

Coube ao Palmeiras tentar respirar, mas não adiantou dar alguns passos à frente e dominar o campo adversário a partir dos 20 minutos. O adversário, mesmo quando estava com a bola, tinha sempre alguém próximo de qualquer jogador do Palmeiras. A chave era não desperdiçar uma rara chance, como Dudu acabou fazendo.

Aos 22 minutos, Zé Roberto cruzou na área, Victor Ramos ganhou de cabeça e a bola sobrou limpa, com o gol vazio para o atacante. A contratação mais cara da temporada conseguiu empurrar com o pé a bola na trave. A torcida se enervou, e ficou ainda mais irritada aos 25, quando Dudu rolou para Leandro Pereira finalizar no contrapé do goleiro, que evitou a abertura do placar com uma grande defesa.

O resto do primeiro tempo foi de nervosismo. Robinho e Lucas, presença constante no ataque, não acertavam quase nada, e o Palmeiras não criava. A ida para o intervalo quase piorou, não fosse Fernando Prass, que saiu da área como o alemão Neuer para cortar lançamento, já nos acréscimos.

Nos vestiários, Zé Roberto, uma das poucas opções eficientes na frente, reclamou de incômodo muscular e Victor Luis entrou em seu lugar. O que mudou, efetivamente, foi a presença maior no ataque, que proporcionou lance no qual Dudu pediu pênalti após se enroscar com Gimenez. O ímpeto, porém, abriu espaços e o veterano Zé Roberto do Botafogo, ex-Vitória, perdeu chance clara em contra-ataque aos 13.

Oswaldo de Oliveira, contudo, se lançou à frente. Abriu mão de Gabriel, que tinha cartão amarelo, para recuar Robinho como volante e levantar a torcida colocando Valdivia, aos 16. Dois minutos depois, o chileno recebeu entrada dura de André Rocha, mostrando que poderia mudar o jogo. Logo depois da cobrança, levou perigo cabeceando de costas para o gol.

O jogo ficou aberto, a ponto de a arbitragem anular gols de Diogo Campos e Dudu. Cenário que favorecia Valdivia. Aproveitando-se também do cansaço dos adversários, Valdivia transitava tranquilamente, com fôlego até para voltar à defesa e roubar a bola, além de chegar à frente. Como gosta, e da forma que é decisivo.

Aos 26, o jogador mais caro do elenco fez desarme atrás do meio-campo, acionou o ataque e foi à meia-lua. Recebeu com espaço de chutar, mas optou por enganar a marcação e rolar para Lucas cruzar rasteiro. Leandro Pereira, dessa vez, não parou em Renan Rocha, desviando nas redes e fazendo o gol que gerou instantaneamente na torcida o grito pelo nome do chileno.

O resto do jogo serviu para o palmeirenses e o Palmeiras, enfim, tentarem respirar. O Botafogo estava visivelmente cansado, facilitando a estratégia do Verdão de prender a bola, tocando-a para Valdivia decidir o que fazer com ela. Houve tempo até para Cleiton Xavier reestrear, entrando nos acréscimos. Estava garantida a festa e o alívio alviverde na tarde deste domingo.