A busca por um estilo de vida mais saudável tem levado milhões de brasileiros a calçar tênis e entrar para o universo das corridas de rua e da musculação. No entanto, a empolgação em conquistar resultados rápidos pode esconder um perigo silencioso. Afinal, quais são os riscos reais de uma pessoa sedentária começar a participar de corridas de 5 km sem passar por uma avaliação médica prévia?
De acordo com o endocrinologista Dr. Reinaldo Coelho Martins, especializado em performance e metabolismo, quando falamos de pessoas aparentemente saudáveis, os riscos costumam ser baixos, especialmente se houver acompanhamento de um profissional de educação física e uma progressão adequada dos treinos.
Porém, ele faz um alerta importante: a avaliação médica é fundamental porque algumas doenças cardiovasculares podem permanecer silenciosas por anos e se manifestar justamente durante um esforço intenso.
“Uma pessoa sedentária pode apresentar pressão alta não diagnosticada, alterações cardíacas, diabetes, obesidade ou limitações ortopédicas que aumentam o risco de lesões e intercorrências”, afirma o médico.
Quais exames são indispensáveis antes de começar
O especialista explica que não existe um protocolo único para todos os casos, pois a necessidade dos exames depende diretamente da idade, histórico familiar, sintomas e fatores de risco de cada pessoa. “De forma geral, uma avaliação clínica completa associada a um eletrocardiograma costuma ser um bom ponto de partida”, orienta Dr. Reinaldo.
Em muitos casos, também podem ser solicitados exames laboratoriais para avaliar glicemia, colesterol, função renal, função hepática, hemograma e hormônios relacionados ao desempenho e à saúde geral. Dependendo do perfil do paciente, exames como teste ergométrico, ecocardiograma ou avaliação cardiológica complementar podem ser indicados para aumentar a segurança durante a prática esportiva.
Acompanhamento médico vs. dicas da internet
Qual é a diferença prática entre buscar a hipertrofia por conta própria, com dicas da internet, e ter um acompanhamento médico esportivo? O endocrinologista é categórico: “As dicas encontradas na internet raramente são individualizadas. Muitas vezes são relatos pessoais de influenciadores, nem sempre apresentados de forma transparente e, em alguns casos, com claro viés comercial.”
Por outro lado, o acompanhamento médico permite avaliar o contexto individual de cada pessoa. O profissional considera histórico de saúde, exames, rotina, objetivos e limitações. “Isso possibilita orientações mais seguras e realistas, evitando estratégias extremas, falsas promessas e riscos desnecessários à saúde”, acrescenta Dr. Reinaldo.
Por isso, ele reforça que a orientação profissional ajuda a definir se existe real necessidade de suplementação, qual produto utilizar e qual a dose mais adequada para cada indivíduo.
É possível ganhar massa muscular de forma natural?
A resposta do especialista é direta: “Sim, é possível. A grande maioria das pessoas consegue obter resultados expressivos em composição corporal, força e desempenho apenas com treinamento adequado, alimentação estruturada, recuperação eficiente e constância.”
O que acontece, segundo ele, é que o processo natural exige mais disciplina, paciência e expectativas alinhadas à realidade. “Não existem atalhos sem custo. Muitas vezes, resultados sustentáveis construídos ao longo dos anos são muito mais valiosos do que transformações rápidas que comprometem a saúde no futuro”, afirma.
Sinais de alerta vermelho durante o treino
Quais sinais o corpo emite durante um treino que servem como alerta para parar imediatamente? “Alguns sintomas devem ser encarados como sinais de alerta e justificam a interrupção imediata da atividade física”, adverte Dr. Reinaldo.
Entre eles estão dor ou pressão no peito, falta de ar desproporcional ao esforço, tontura, palpitações importantes, dor de cabeça intensa e súbita ou sensação de mal-estar. “Além disso, dores musculares e articulares agudas, especialmente quando associadas a estalos, perda de força ou limitação de movimento, também merecem atenção e avaliação profissional”, complementa.
Medicina esportiva não é só para atletas de elite
Por fim, o endocrinologista derruba um mito comum. “A medicina esportiva não é apenas para atletas de alto rendimento. Na verdade, ela pode beneficiar qualquer pessoa que deseja praticar atividade física com segurança, melhorar sua saúde e envelhecer com mais qualidade de vida.”
Vivemos um momento em que a prática de exercícios é cada vez mais incentivada, e o médico do esporte atua justamente na prevenção, no diagnóstico e no acompanhamento de quem busca performance, saúde e longevidade.
“Desde o iniciante que quer começar a caminhar até o atleta competitivo, todos podem se beneficiar de uma avaliação especializada. Afinal, o exercício é uma das ferramentas mais poderosas da medicina preventiva quando realizado da forma correta”, conclui Dr. Reinaldo Coelho Martins.
