Tite tenta superar pior momento na seleção brasileira em sua antiga casa

Na última rodada do Grupo A da Copa América, o Brasil enfrentará o Peru na Arena Corinthians, em Itaquera

Comentar
Compartilhar
21 JUN 2019Por Folhapress20h34
A possibilidade de eliminação é remota, mas o plano é se manter longe da calculadora e assegurar a classificação com uma vitória e o primeiro lugar da chaveFoto: MoWA Press

Tite não estaria na seleção brasileira sem o Corinthians e o trabalho que realizou em preto e branco. E as chances teriam sido certamente menores sem o gol marcado por Guerrero em 16 de dezembro de 2012, que deu ao time o título mundial. Agora, em seu pior momento à frente da equipe nacional, o treinador conta com sua velha casa, mas tem como adversário seu velho centroavante.

Na última rodada do Grupo A da Copa América, o Brasil enfrentará o Peru na Arena Corinthians, em Itaquera, a partir das 16h deste sábado (22). Foi lá que, já sem Guerrero, o técnico celebrou o título brasileiro de 2015 e se despediu para assumir a seleção em 2016, após anos de conquistas.

Autor do tento que deu o título Mundial ao Corinthians sete anos atrás, Guerrero é a principal arma do Peru e ameaça Tite em uma fase complicada para o gaúcho.

Contestado após o fracasso na última Copa do Mundo, ele começou a disputa continental ouvindo vaias na vitória sobre a Bolívia e no empate com a Venezuela, algo que espera evitar na terceira rodada.

"É compreensível", resumiu o comandante, resignado com o comportamento das arquibancadas. No duelo sem gols da última terça-feira (18), o público presente na Fonte Nova chegou a gritar ironicamente "olé" para a seleção em passes trocados pelos venezuelanos.

De volta a São Paulo, cidade onde foi vaiada antes de engrenar e fazer 3 a 0 na Bolívia, a seleção quer evitar novos apupos e também os riscos de um fracasso precoce.

A possibilidade de eliminação é remota, mas o plano é se manter longe da calculadora e assegurar a classificação com uma vitória e o primeiro lugar da chave.

Para isso, a equipe precisa apresentar mais do que fez até aqui. Exceção feita à metade final diante dos bolivianos, na qual engrenou após um pênalti observado pelo árbitro de vídeo, o time teve dificuldade para superar as defesas adversárias e passou em branco em todas as etapas.

"O time tem controlado o jogo, mas está um pouco acelerado lá na frente, na hora do último passe, da finalização. Precisamos controlar essa ansiedade", afirmou o lateral esquerdo Filipe Luís.

O próximo adversário do Brasil tem campanha semelhante à realizada pela seleção. Depois de empatar em 0 a 0 com a Venezuela, mesmo placar obtido pela seleção, os peruanos derrotaram a Bolívia por 3 a 1, de virada, com um gol e uma assistência de Guerrero, que quer mais.

"Não põe um cara para me seguir o tempo todo, né? Pô, professor, faz o seu jogo normal", brincou o centroavante, pedindo clemência ao antigo chefe, mas sabendo que não será atendido. "O professor já me conhece bem e sempre faz um sistema de jogo para eu não ter espaço".

Autor de 15 gols no estádio de Itaquera, o peruano não foi bem recebido em suas visitas desde que partiu, em 2015. Os torcedores do Corinthians não engoliram sua ida ao Flamengo, por uma proposta milionária, depois de ter declarado repetidas vezes que só tinha um time no Brasil. Hoje, ele defende o Internacional.

Antes de mais uma visita à zona leste paulistana, Guerrero disse ter "muito carinho pela torcida do Corinthians".
O carinho não parece ser mútuo, mas não haverá apenas corintianos entre aqueles que se dispuserem a pagar os altos preços dos ingressos cobrados para o jogo ""e para toda a Copa América, o que tem deixado os estádios vazios.
Houvesse apenas alvinegros na arena, a situação seria mais fácil para Tite, que, diferentemente do atacante peruano, ainda é muito querido pelos corintianos. Como o cenário não é exatamente esse, o treinador terá de comandar uma boa atuação para evitar novas vaias ao seu trabalho.

Copa América
BRASIL X PERU
16h, no Itaquerão
Na TV: Globo e SporTV

Colunas

Contraponto