Esportes
Prova do esqui alpino combina alta velocidade, precisão extrema e técnica apurada; modalidade levou Lucas Pinheiro Braathen ao topo olímpico
Conhecido por exigir uma combinação rara de velocidade, força física e precisão técnica, o slalom gigante é uma das provas mais respeitadas do circuito internacional / Rafael Bello/COB
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O slalom gigante, uma das modalidades mais tradicionais e técnicas do esqui alpino, entrou definitivamente para a história do esporte brasileiro neste sábado ao render o primeiro ouro do Brasil em Jogos Olímpicos de Inverno. O feito foi alcançado pelo brasileiro Lucas Pinheiro Braathen, que brilhou na prova disputada em Milão-Cortina 2026.
Conhecido por exigir uma combinação rara de velocidade, força física e precisão técnica, o slalom gigante é uma das provas mais respeitadas do circuito internacional e integra tanto o programa olímpico quanto as etapas da Copa do Mundo.
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Diferentemente do slalom tradicional, no qual os portões são muito próximos e as curvas extremamente fechadas, o slalom gigante utiliza uma pista com curvas mais amplas e portões mais espaçados. Esse desenho permite que os atletas atinjam velocidades mais elevadas, sem abrir mão do alto grau de dificuldade técnica.
Cada portão é formado por duas bandeiras, que precisam ser contornadas obrigatoriamente. Qualquer erro — como deixar de passar por uma porta — resulta em desclassificação imediata, tornando a margem para falhas praticamente inexistente.
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As competições de slalom gigante são disputadas em duas descidas. Os atletas percorrem a pista duas vezes, em traçados diferentes montados na mesma montanha. O tempo final é a soma das duas tentativas, e vence quem completar o conjunto no menor tempo total.
A ordem de largada segue o ranking internacional. Já na segunda descida, os 30 melhores da primeira bateria largam em ordem invertida — o 30º sai primeiro, enquanto o líder desce por último. O formato aumenta a tensão e mantém a disputa aberta até os instantes finais.
Considerado uma das provas mais equilibradas do esqui alpino, o slalom gigante exige controle absoluto das bordas dos esquis, coordenação refinada e estabilidade em trechos de alta velocidade. Cada mudança de direção precisa ser calculada com precisão: uma curva mal feita pode custar décimos decisivos ou provocar uma queda.
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As pistas costumam ter entre 300 e 450 metros de desnível vertical, dependendo da competição, e as velocidades podem ultrapassar os 80 km/h, mesmo em condições de gelo intenso.
Por premiar regularidade, potência e estratégia, o slalom gigante é visto como uma prova que revela atletas completos. Não é raro que especialistas da modalidade também se destaquem no slalom tradicional, ainda que os desafios técnicos sejam distintos.
Historicamente, o domínio da prova pertence a países com forte tradição no esqui, como Áustria, Suíça, Noruega e Estados Unidos. No entanto, o ouro conquistado por Lucas Pinheiro Braathen ampliou o alcance da modalidade e colocou o Brasil em um novo patamar no esporte de inverno, atraindo atenção internacional para um país sem tradição na neve.
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Com a conquista histórica, o slalom gigante deixa de ser apenas uma prova técnica do esqui alpino e passa a simbolizar um marco inédito do esporte brasileiro no cenário olímpico.