Lélio Assumpção já se sagrou vice-campeão da Fórmula 1600 e quer alçar voos maiores na Stock Car nos próximos anos. / LUCCA SALVATORE/DIVULGAÇÃO
Continua depois da publicidade
Ainda é um mistério para Lélio Assumpção de onde veio o amor pela velocidade que só pode ser encontrada no cockpit de uma máquina capaz de atingir rapidamente a marca de mais de 100km/h, mas o sonho do piloto caiçara é o mais claro possível: fazer história nas pistas do Brasil e do mundo afora.
A trajetória de Lélio no automobilismo se iniciou durante a infância e apesar de não saber precisar com exatidão como foi que seu coração deu a primeira largada no esporte, o menino nascido em Rancharia, no interior de São Paulo, veio para Santos antes de começar a falar e foi em terras caiçaras que estipulou seu objetivo de vida.
Continua depois da publicidade
"Não me lembro de algum dia não ter gostado de carro porque aqui em casa ninguém era fascinado assim. Meu pai gostava de automobilismo, mas nada de ficar assistindo o tempo inteiro e também não tínhamos ninguém ligado ao esporte na família. Foi um negócio meu mesmo e que já nasceu comigo", explica o caiçara.
O automobilismo que ficou famoso Brasil afora com grandes nomes como Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna, entretanto, não é um esporte barato, mas esse obstáculo financeiro não desanimou Lélio, que decidiu economizar ao máximo para poder sentir a adrenalina da velocidade nas pistas o mais rapidamente possível.
Continua depois da publicidade
"Eu sempre quis pilotar, mas não tinha condições porque era tudo muito caro e minha família não tinha condições na época. Aí as coisas começaram a melhorar, fui trabalhar com meu pai e comecei a juntar uma grana e procurar cursos de corrida para tirar carteira de piloto".
Após muita busca, Lélio conseguiu achar um curso em Piracicaba e foi onde ele teve o contato inicial com o volante e as pistas na categoria da Fórmula Vee. Durante essa estadia, ele conheceu Wilson Fittipaldi, ex-piloto de Fórmula 1, e irmão do bicampeão mundial Emerson Fittipaldi.
"Ele estava lá no dia e perguntou pro meu pai: 'Faz quanto tempo que seu filho pilota?' e meu pai respondeu brincando: 'Faz uns 15 minutos'. E o Wilson gostou, disse que eu estava pilotando bem e disse que nós deveríamos continuar na categoria porque eu estava andando muito bem", relembra aos risos.
Continua depois da publicidade
O apoio e incentivo de um ex-piloto da Fórmula 1 e que somou tantas vitórias junto do irmão também na Fórmula Indy deu uma injeção de ânimo em pai e filho, que começaram a buscar patrocínios para que Lélio desse a primeira largada na carreira de piloto. Após certo tempo, os dois tiveram sucesso e o caiçara se tornou um profissional.
"Fiz dois anos de Fórmula Vee e agora mais dois anos de Fórmula 1.600. Eu tinha 19 anos ao iniciar na Vee. Quando começa a treinar, você sai, roda, corre bem atrás dos adversários, mas vai melhorando a cada treino e muitos dos meus 'rivais' quando comecei se tornaram professores, amigos, mentores e agora consigo correr à frente de todos. No primeiro ano fui campeão no Mato Grosso do Sul e vice-campeão pela 1.600".
Todo esse esforço deve se culminar nesta segunda-feira (14). Lélio foi convidado a participar da Stock Car Light, uma categoria que serve como acesso à Stock Car principal. A esperança de Lélio, e também da Baixada Santista, é que tudo dê certo para que ele se junte em breve ao 'panteão' de grandes pilotos da categoria, como Átila Abreu, Cacá Bueno, Ricardo Zonta, Thiago Camilo, Daniel Serra, Ricardo Maurício e Rubens Barrichello.
Continua depois da publicidade
"Relembrei com meu pai esses dias até que quando surgiu a oportunidade ficamos preocupados por causa dos valores, mas conseguimos e nunca quis tanto algo quanto correr na Stock Car, acho até que só vou acreditar depois que eu entrar no carro e falar: 'Poxa, é verdade'. A gente tá enxergando isso como uma possibilidade de me dar bem lá, achar um patrocínio e quem sabe ficar. Pode ser uma porta de entrada e poder dizer pra mim mesmo: 'Eu sei que consigo'."
A expectativa de Lélio é a melhor possível e ele acredita que não terá dificuldades para manobrar os carros, que não são os mesmos usados atualmente na Stock Car, mas são bem próximos e podem servir como trampolim para a categoria principal.
Quando perguntado sobre sua grande inspiração no automobilismo e a figura que está para ele acima de todas as outras, a resposta é até um pouco óbvia, mas impossível de censurar.
Continua depois da publicidade
"Senna! É o cara que andava muito na chuva e eu mesmo adoro correr na chuva. Eu estava até relembrando de algumas corridas e se não me engano, desde o ano passado, até hoje, foram poucas, cerca de cinco provas com chuva, todas eu venci. Ver ele dá uma inspiração até para treinar com pneu seco na chuva para tentar melhorar. Tenho certeza que isso me ajudou bastante", finaliza.