Atual auxiliar-técnico da Portuguesa Santista, o ex-meia Robert passou por diversos clubes de expressão do futebol nacional, como Grêmio, Atlético-MG, Corinthians e Bahia. Mas é com outro grande, o Santos, que sua imagem é mais ligada.
Campeão Brasileiro pelo clube em 2002, ele possui um carinho pelo Peixe e elogiou a evolução na estrutura do Alvinegro desde a primeira passagem dele, ainda na década de 90. “O Santos melhorou muito em relação a estrutura, como clube de futebol. Estrutura física, organização. Se a gente tivesse isso naquela época, com certeza, ganharíamos muito mais coisas. Mas foi um legado que deixamos. Foi a partir dali que a gente conseguiu construir um pouco do que o Santos é hoje. É um clube fantástico, mas com uma estrutura muito melhor do que eu tive”.
O ex-jogador destacou também a qualidade técnica do elenco de Dorival Júnior mais lamentou o desfecho das negociações para o retorno de Robinho. Ontem, o Peixe anunciou o encerramento das tratativas com o Rei das Pedaladas que, horas depois, foi anunciado como reforço do Atlético-MG.
“O Santos tem um time de futebol muito bom. Vejo grandes perspectivas esse ano, mais do que no ano passado. O Dorival, praticamente, construiu esse time. Uma base excelente. Pena que o Robinho não conseguiu o acerto, mas com certeza o Santos irá se reforçar cada vez mais para ter um time forte ao longo da temporada”.
Robert preferiu não opinar sobre a decisão do atacante. “Como amigo e admirador do Robinho, e por gostar muito do Santos, queria que houvesse esse acerto. Mas o Robinho é um profissional e o Santos também tem que ver o lado dele, a parte financeira. É preciso ter responsabilidade também. É a questão de custo-benefício, ambições profissionais. Questões particulares do Robinho. É uma pena que esse desfecho não tenha sido um casamento, um reatamento profissional”.
Para o auxiliar-técnico da Briosa, o fato não apaga o que o Rei das Pedaladas fez pelo Peixe. Ele também repudiou o ato de vandalismo contra o muro do CT Rei Pelé. Torcedores mancharam uma das gravuras de Robinho, feita pelo artista plástico Paulo Consentino, em homenagem ao centenário do clube.
“Ele continua sendo ídolo do Santos apesar dos probleminhas aí, do muro ter sido vandalizado. Infelizmente. É uma baita de uma homenagem para os atletas. Eu também estou lá no muro. O Paulo Consentino fez junto com o Santos. É uma pena acontecer sempre esse tipo de situação. Mas eu sei que o Robinho está no coração de todo santista. Com certeza, irá passar essa raiva. O Robinho é ídolo. Não tem como tirar o que ele representa para o Santos. Só não pode vir aqui com o Atlético e fazer gol. Aí é complicado (risos)”.
Base
Robert também comentou a qualidade das categorias de base do clube. Seu filho, Patrick, de 19 anos, é um dos meninos da Vila e foi emprestado, recentemente, para a Portuguesa Santista para a disputa da Segunda Divisão do Campeonato Paulista, equivalente a quarta divisão estadual.
“A gente vê a sequência de jogadores que tem se formado e sido apresentado para o mercado. O Santos tem tido essa alegria de estar sempre formando atletas e aproveitando eles dentro de campo. Fora de campo também, com boas vendas”.
Segundo o ex-jogador, na década de 90 não houve tantos jogadores da base entre os profissionais. Ele recordou Marcos Paulo (lateral-esquerdo), Camanducaia (atacante) e Carlinhos (meia).
“Não tinha uma integração tão grande. Depois daquela época do Paulista de 78, da primeira geração, deu uma parada. Depois teve o pessoal de 95, mas em 2002 que teve uma deslanchada novamente e entrou nessa onda dos meninos da Vila. Estava até conversando com o Dagoberto (gerente de futebol do Santos) que o clube passou a ter muito mais paciência e não ter medo de lançar jogador. E o torcedor das sociais tem muito mais paciência com os meninos criados na base do que os que vem de fora. É incrível. E o jogador se sente bem. Ele sai do júnior e coloca a camisa no profissional como se fosse parte da pele dele”.
Para ele, o Alvinegro tem uma facilidade muito maior para a integração de atletas das categorias de base aos profissionais. “No CT do Santos, o menino convive muito com o profissional. O campo é do lado, daqui a pouco faz um coletivo. O sub-17, sub-18, sub-23 fazem muitos treinos com o profissional. Fica acostumado. Está lá com o Renatinho, batendo bola com o Elano. Depois tá driblando o David Braz, fazendo gol no Vanderlei. Está tudo amigo já e quando vai subir não sente o peso de ‘estar com os caras’”.
“O São Paulo tem o CT de Cotia, é longe do CT da Barra Funda. O Corinthians também é só do profissional. O Palmeiras também não tem essa integração. Tem essa dificuldade de integração dos meninos. Não que lá não tenha. Deve ter, os caras de vez em quando vão lá treinar. Mas todo o dia o menino passar ali, estar com o Gabigol, que é amigo de outro jogador do sub-17. Eles vão cortar o cabelo todos juntos ali no canal 2. Então, essa integração é muito grande no Santos. Isso ficou amalgamado com o profissional. É muito mais fácil no Santos. É mais rápida, mais eficiente e só o Santos tem”, emendou Robert, que destacou a projeção de jogadores como Zeca, Gustavo Henrique, Gabriel e Thiago Maia.
