Presidente da Fifa vê rebaixamento como melhor punição ao racismo

Joseph Blatter tem como uma de suas metas, combater o racismo nos gramados.

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24 JAN 201316h53

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, tem como uma de suas metas à frente da entidade que controla o futebol mundial combater o racismo nos gramados. O problema esteve em evidência nos últimos anos, como por exemplo em 2012 na Eurocopa disputada na Ucrânia e na Polônia. Nesta quinta-feira, em entrevista ao site oficial do órgão que ele dirige, o dirigente sugeriu a adoção do rebaixamento como forma de punir clubes envolvidos em episódios desta natureza.

"Sinto que o que deveríamos fazer é instruir as federações e confederações, sobretudo os comitês disciplinares, a serem bastante firmes. Não basta dar multa. Jogar sem torcida é uma das sanções possíveis, mas o melhor seria a perda de pontos e o rebaixamento da equipe porque finalmente o clube seria responsável pelos seus espectadores", afirmou Blatter, lembrando que os clubes devem instruir seus torcedores a não praticar atos racistas.

O dirigente admite que é preciso rigidez contra o racismo, embora ele esteja presente "em toda parte na sociedade". "Nós do futebol não podemos ser responsabilizados pelo que acontece na sociedade. Mas em lugar nenhum do mundo se pode resolver um problema fugindo, seja na vida pessoal, nos negócios ou na política", enfatizou.

O dirigente admite que é preciso rigidez contra o racismo, embora ele esteja presente

Outro problema grave que tem afetado a reputação do futebol mundial é a manipulação de resultados, que visa beneficiar apostadores e movimenta milhões por meio de gangues do crime organizado. Ao comentar o assunto, Blatter cobrou uma postura fiscalizadora de quem for assediado por criminosos.

"(A manipulação) É um dos males do futebol. Se as pessoas souberem que uma partida pode ser manipulada, não vão acreditar mais nos resultados do esporte. Estamos trabalhando junto com as autoridades políticas e com a Interpol. O que é necessário é a solidariedade da comunidade do futebol. Então, quando jogadores, técnicos e árbitros forem procurados por fraudadores, eles deveriam denunciar imediatamente, agindo como informantes. Só então podemos intervir de maneira efetiva. O melhor técnico do mundo, Vicente Del Bosque, falou sobre isso quando recebeu o prêmio de melhor treinador do ano", lembrou.

Sugestão da  UEFA

As 53 nações que compõem a Uefa aprovaram nesta quinta um documento em que sugerem a limitação do tempo de permanência do próximo presidente da Fifa no comando da entidade a 12 anos. A proposta provocaria uma mudança radical em relação os longos períodos de gestão dos últimos presidentes da entidade, mas ainda assim, é quatro anos inferior ao que foi recomendado pelo seu conselheiro anticorrupção.

A sugestão da Uefa repete proposta que foi adotada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Após a eclosão do escândalo sobre a escolha de Salt Lake City, nos Estados Unidos, para sediar a Olimpíada de Inverno de 2002, o COI realizou uma reforma e impôs um limite de 12 anos aos mandatos presidenciais.

Atual presidente da Fifa, o suíço Joseph Blatter vai completar 17 anos no comando da entidade quando o seu atual mandato se encerrar em 2015. A proposta da Uefa, porém, é diferente da de Mark Pieth, conselheiro anticorrupção da Fifa, que sugeriu a limitação de oito para os mandatos.

O francês Michel Platini, atual presidente da Uefa, é o favorito a suceder Blatter, que prometeu não buscar a reeleição. As 209 associações que compõem a Fifa serão consultadas sobre as reformas sugeridas em maio, durante o seu congresso.