Deficitário desde a sua inauguração, em 15 de junho de 2014, o museu Pelé ganhou um novo aliado para alavancar as suas receitas. Nesta quinta-feira, em evento de comemoração do título do Paulistão 2016, a Prefeitura de Santos, administradora do equipamento, firmou parceria com o Santos Futebol Clube, que promete ajudar na construção de marketing do acervo designado ao maior atleta do Século. A tarefa, no entanto, não será nada fácil aos novos parceiros.
Com capacidade para receber 1.500 visitantes por dia, o local tem baixa procura de fãs e hoje não consegue equilibrar receitas e despesas. Devido ao baixo orçamento diário e mensal, o estabelecimento acumula milionárias dívidas trabalhistas desde a gestão da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) AMA Brasil que, durante dois anos, esteve à frente do acervo, mas, devido aos problemas financeiros, resolveu abrir mão do negócio.
A Prefeitura, então, entrou em acordo com Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, e passou a administrar o combalido museu no último dia 10 de Março. As pendências trabalhistas entre a AMA e os seus ex-empregados, no entanto, parecem não trazer preocupações ao prefeito Paulo Alexandre Barbosa. O Chefe do Executivo não vê riscos em assumir o espaço e disse que o propósito da administração não pode ser baseado na busca por lucros.
“Após a prefeitura assumir a gestão, o Museu passou a pertencer aos santistas em caráter definitivo e irrevogável. Todas as responsabilidades anteriores são da AMA. Não vejo risco algum. Acredito que nenhum Museu no Brasil e no mundo dá lucro. O Museu do Futebol, em São Paulo, por exemplo, não tem resultado financeiro. Ele tem subsídio do poder público. O Museu Pelé não é um negócio, mas, sim, um investimento”, afirmou Paulo Alexandre.
Visto como um investimento, no entanto, o Museu Pelé pode trazer déficit à Prefeitura e, por consequência, à população santista. No último dia 06 de abril, a reportagem do Diário do Litoral publicou reportagem com Ildefonso de Oliveira, juiz do trabalho aposentado, que fez alertas ao município sobre um possível legado. Segundo ele, caso existam encargos não debitados pela anterior gestão, seja a que título for, a Prefeitura será responsável por assumir os novos prejuízos.
A sucessão trabalhista é regulamentada pelos artigos 10 e 448, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O artigo 10 prevê que ”qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados”, enquanto o artigo 48 mostra que “a mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados.
Modesto Roma não quis assumir “pepino”
Devido aos problemas que cercam a posse da antiga administração e com receio de assumir antigos débitos, o Santos trilhou caminho oposto à Prefeitura e abriu mão do negócio. A opção foi uma parceria ligada ao marketing do clube, que dará apoio em futuros eventos.
“Tivemos algumas discussões e decidimos que este seria o modelo ideal ao clube. O Santos participa da parceria colaborando com o nome que tem pelo mundo. Com isso, não temos a necessidade de assumir algum ônus que realmente não nos interessa. O Santos já tem pepinos suficientes (risos)”, afirmou Roma.
A parceria não trará lucros ao Alvinegro Praiano. Nos bastidores, fala-se que o principal ponto do acordo assinado é o estreitamento da relação com a Prefeitura, já que o Peixe trabalha para ter o seu novo estádio e conta com a ajuda municipal para transformar o sonho em realidade. Roma, no entanto, preferiu negar as afirmações e ressaltou a divulgação da marca do clube.
“As parcerias com a Prefeitura não são um “toma lá da cá”. Somos apenas parceiros, e parceiros não tiram vantagem um dos outros. Buscamos apenas fazer um equipamento melhor à cidade”, completou o mandatário.
