Esportes
Em 1993, o então meia-atacante assumiu a responsabilidade de vestir a emblemática camisa 10 do Santos FC, sendo a peça central de um elenco em plena fase de reconstrução
Hoje, ao ver Cuca gesticulando na área técnica, o torcedor mais antigo recorda o meia habilidoso que honrou a 10 / Divulgação/Santos FC
Continua depois da publicidade
Muito antes de retornar à Vila Belmiro para comandar o time à beira do gramado, Cuca viveu a intensidade de ser o protagonista dentro das quatro linhas. Em 1993, o então meia-atacante assumiu a responsabilidade de vestir a emblemática camisa 10 do Santos FC, sendo a peça central de um elenco em plena fase de reconstrução.
Cuca não chegou ao Peixe como um coadjuvante. Em uma época dominada pela rígida Lei do Passe, ele era dono de seus próprios direitos econômicos e a negociação girou em torno de US$ 180 mil — um valor expressivo para a realidade do início dos anos 90.
Continua depois da publicidade
Sob a batuta de Evaristo de Macedo, Cuca encontrou um vestiário qualificado. Ao seu lado, nomes como Marcelo Passos, Ranielli e Darci formavam a base técnica, reforçada meses depois pela chegada do xerife Ricardo Rocha. Com um estilo de jogo vertical e faro de gol, Cuca não demorou a se tornar o dono do meio-campo santista.
O impacto de Cuca foi avassalador e imediato. Logo na sua estreia, balançou as redes na vitória por 4 a 2 sobre a Portuguesa. Ao longo da temporada, consolidou-se como um 'meia-artilheiro', acumulando estatísticas que impressionam até hoje:
Continua depois da publicidade
Partidas disputadas: 44
Gols marcados: 15
Destaque em clássicos: Foi decisivo no triunfo por 3 a 2 contra o São Paulo.
Continua depois da publicidade
Sua postura em campo já dava pistas do treinador que ele se tornaria: liderança nata, intensidade constante e uma leitura de jogo privilegiada.
Apesar do brilho individual de Cuca e da artilharia de Guga (que marcou 14 gols no Brasileirão), o título não veio. O Santos de 93 era um time 'casca-grossa', mas que batia na trave:
No Paulistão: Terminou a primeira fase no topo, mas caiu em um grupo semifinal equilibradíssimo contra rivais como Corinthians e São Paulo.
Continua depois da publicidade
No Brasileirão: Sob o comando de Antônio Lopes, o Peixe avançou em 5º lugar, mas parou na fase decisiva diante de Flamengo, Corinthians e do surpreendente Vitória (vice-campeão daquele ano).
Anos mais tarde, já consolidado como técnico, Cuca abriu o coração sobre o que sentiu ao carregar o número eternizado pelo Rei Pelé. Para ele, a experiência na Vila Belmiro transcende o futebol:
“Vestir a camisa 10 é um baque… tem um valor inestimável”, relembrou o ídolo.
Continua depois da publicidade
O relato reforça o simbolismo de atuar em um dos palcos mais sagrados do mundo, entendendo a responsabilidade que poucos conseguiram carregar com tamanha naturalidade.
Curitibano, Cuca iniciou sua jornada em 1984 no Santa Cruz-RS. Antes de brilhar no Santos, ele já acumulava um currículo de peso:
Grêmio: Autor do gol do título da Copa do Brasil de 1989.
Continua depois da publicidade
Europa: Passagem pelo Valladolid (Espanha).
Gigantes do Brasil: Defendeu Internacional e Palmeiras.
Seleção Brasileira: Vestiu a amarelinha em 1991, em amistoso contra o Paraguai.
Continua depois da publicidade
A passagem pelo Alvinegro Praiano foi uma das últimas grandes exibições de Cuca como atleta. Após o Santos, ele ainda passou por Portuguesa, Remo, Juventude e Chapecoense, onde encerrou a carreira em 1996.
No entanto, aquela conexão criada em 1993 foi o alicerce para tudo o que viria depois. A identificação com a torcida e o conhecimento profundo do "DNA santista" explicam por que seu nome é sempre o primeiro a ser lembrado em momentos cruciais do clube.
Hoje, ao ver Cuca gesticulando na área técnica, o torcedor mais antigo recorda o meia habilidoso que honrou a 10. Essa trajetória ajuda a explicar a simbiose entre o técnico e a instituição: ele não apenas treina o Santos; ele sabe exatamente o que significa sentir o peso dessa camisa dentro de campo.
Continua depois da publicidade